A Polícia Federal (PF) inaugurou o Laboratório de Geoquímica Forense para Rastreabilidade Mineral. A estrutura científica é capaz de apontar a origem geográfica exata de cargas de ouro apreendidas. A tecnologia permite à perícia atestar se as notas fiscais são falsas e identificar fraudes na cadeia comercial.
O gerente do programa Ouro Alvo, da Polícia Federal, Gustavo Gaiser, detalha como surgiu a iniciativa.
“Começamos a fazer pesquisa, estritamente pesquisa, tentando desenvolver metodologias periciais para poder dizer se um material que vinha sendo comercializado era idôneo ou não, ou seja, se a documentação que acompanhava esse material era idônea ou não. Começamos a perceber que havia a necessidade de se qualificar a Polícia Federal para comprovar os crimes de lavagem de ouro e outros crimes correlatos. Então, vamos falar em crimes financeiros em geral e lavagem de dinheiro através dessa lavagem de ouro; tudo isso é o que pretendemos combater com esse novo parque tecnológico que estamos inaugurando hoje.”
A extração clandestina do ouro também contamina rios com substâncias tóxicas e compromete a sobrevivência de comunidades tradicionais. Foi o que destacou o secretário nacional de Meio Ambiente Urbano, Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental, Adalberto Maluf.
“A mineração ilegal está diretamente ligada à contaminação dos rios, dos peixes e da saúde. Eu já estive visitando o território Yanomami e o território Munduruku em projetos de monitoramento de mercúrio, e é muito triste ver lá na ponta aquelas comunidades que hoje, pelo menos, têm consciência do fato de que elas simplesmente não podem comer o peixe que está ali do lado da própria comunidade.”
Ouroteca
Financiado com cerca de R$ 50 milhões do Fundo Amazônia, o novo parque tecnológico compara lotes de ouro apreendidos com um banco de dados geológico. É a chamada “Ouroteca”, que já reúne mais de 100 padrões de jazidas nacionais e amostras internacionais.
O diretor de Amazônia e Meio Ambiente da PF, Humberto Freire, destaca o ganho operacional nas apurações.
“O prazo de análise ou de efetivação dessas perícias caiu de cerca de dois anos, como era antigamente, porque dependíamos de parcerias e de agentes externos, para cerca de dois meses. Então, há um avanço muito grande para a celeridade também das nossas investigações.”
Segundo a PF, a comprovação da procedência do metal de forma mais ágil permite asfixiar o poder econômico do crime organizado e dar mais garantias aos exportadores legais brasileiros no mercado internacional.
*Com reportagem de Oussama El Ghaouri



