quinta-feira, outubro 22, 2026
spot_img
InícioEDUCAÇÃOPesquisadoras da Epamig alertam para desafios da atual safra de café

Pesquisadoras da Epamig alertam para desafios da atual safra de café

0:00

A colheita de café deste ano foi marcada pela ocorrência de chuvas intensas, que trouxeram desafios aos cafeicultores e impactaram a qualidade dos grãos produzidos.

Dados da estação meteorológica instalada no Campo Experimental da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), em Três Pontas (MG), evidenciam o cenário atípico observado em 2026. Entre maio e julho, o acumulado de precipitação foi de 11 mm em 2022, 35 mm em 2023, 12 mm em 2024 e 47 mm em 2025. Já em 2026, o volume chegou a 141 mm, valor expressivamente superior ao registrado nos quatro anos anteriores.

“A ocorrência dessas chuvas durante os períodos de desenvolvimento e colheita dos frutos trouxe diferentes consequências para as lavouras, como alterações na fisiologia do cafeeiro, incluindo floradas fora de época, além de interferir diretamente nas operações de colheita e pós-colheita”, explica a pesquisadora da Epamig Vanessa Figueiredo.

Além de favorecer a queda dos frutos, a chuva manteve o solo úmido por períodos prolongados, dificultando a entrada de máquinas e equipes nas lavouras. O atraso tanto na retirada dos frutos das plantas quanto no recolhimento daqueles caídos no chão pode comprometer a qualidade do café, devido ao desenvolvimento de microrganismos deterioradores e produtores de micotoxinas. Essas condições também contribuíram para a maior sobrevivência da broca-do-café, uma das principais pragas da cultura.

Qualidade e segurança do café

O cenário reforça a importância dos cuidados adotados desde o campo até o armazenamento, especialmente em anos em que o excesso de chuva e a elevada umidade dificultam as operações.

“Entre as micotoxinas de importância para a segurança do café está a ocratoxina A (OTA), que pode ser produzida por determinadas espécies de fungos. Grãos com alguns defeitos, especialmente os pretos e ardidos, podem apresentar maior ocorrência desses fungos e maior risco de contaminação pela toxina. Por isso, cafés com elevada porcentagem de catação merecem atenção, conforme os tipos de defeitos presentes nessa fração”, destaca a pesquisadora aposentada da Epamig Sara Maria Chalfoun.

“Isso reforça a importância  dos cuidados preventivos, durante todo o ciclo produtivo, envolvendo  o controle fitossanitário,  o beneficiamento, a classificação, o armazenamento e o transporte do café”, acrescenta.

As pesquisadoras também destacam que as discussões sobre o tema reforçam a necessidade de orientação técnica e de adoção de Programas de Boas Práticas, sem, contudo, estabelecer uma relação direta entre cafés de menor qualidade e a presença de micotoxinas, uma vez que a presença da ocratoxina A somente pode ser confirmada por meio de análises laboratoriais específicas.

“A prevenção deve ser entendida, portanto, como uma responsabilidade compartilhada ao longo de toda a cadeia produtiva. Os cuidados iniciados pelo cafeicultor no campo precisam ter continuidade nas etapas seguintes, para que o produto chegue ao consumidor com suas características de qualidade sensorial e segurança preservadas”, ressaltam.

Google search engine

Fonte Original

Jornal aponta esquema de Flávio Bolsonaro na gestão de hospitais federais durante pandemia

Reportagem da Agência Pública aponta que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, passou a influenciar as indicações para a rede de hospitais...

Cozinha Afetiva: Sabores que Despertam Memórias

Cozinha Afetiva: Sabores que Despertam Memórias Neste sábado (24),...

Transição de governo em Minas ganha canal exclusivo na TV aberta

Transição de governo em Minas ganha canal exclusivo...
ARTIGOS RELACIONADOS
Anúncio
Google search engine

MAIS POPULAR