quinta-feira, maio 14, 2026
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Delcy Rodríguez anuncia medidas para recuperação da renda dos trabalhadores venezuelanos

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A presidenta interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, fez um pronunciamento nesta quarta-feira (8) e detalhou o cenário econômico atual, bem como o plano de retomada após dez anos de bloqueio e sequestros de divisas, sobretudo por parte do governo dos Estados Unidos. 

“Quero me dirigir a toda a Venezuela sem exclusão alguma, às mulheres, aos homens, à juventude venezuelana. Compartilhar informação para que tenhamos claro o panorama de onde viemos, onde estamos, para onde vamos e, sem dúvida alguma, destacar uma década de bloqueio econômico contra a Venezuela que produziu sete anos de perda de valor do Produto Interno Bruto”, afirmou, em rede nacional. 

Durante a reunião, com a presença de sua equipe ministerial, Rodríguez anunciou que haverá um novo aumento salarial “responsável” a partir de 1º de maio, mas não detalhou o valor. 

“Anuncio que no dia 1º de maio faremos um aumento e que esse aumento, como já afirmamos, será um aumento responsável. E também num futuro próximo, à medida que tivermos e a Venezuela tiver mais recursos que permitam a sustentabilidade de melhores salários e rendimentos para os seus trabalhadores, continuaremos a avançar nesse caminho”, disse a presidenta.

Crescimento sustentável

Por outro lado, destacou que o país completou 20 trimestres positivos seguidos, o que totaliza cinco anos de recuperação econômica. A presidenta afirmou que o país conseguiu reverter o quadro de desabastecimento e controlar a hiperinflação, que superou 344.000% no ano de 2019.

Segundo a mandatária, a evolução dos índices econômicos permitiu o aumento progressivo da renda da população. Em outubro de 2021, o rendimento mínimo era de US$ 30, subindo até alcançar US$ 190 em março de 2026. Esse reajuste mais recente foi atribuído por ela a ganhos extraordinários com a venda de petróleo. Por outro lado, destacou que o governo mantém uma política de benefícios sociais, com subsídios que superam 90% em serviços essenciais como água, luz e gás.

A presidenta interina afirmou que apesar dos avanços, o Produto Interno Bruto (PIB) atual ainda corresponde a apenas 36% do que era registrado em 2012. Naquele período, as receitas da Venezuela somavam quase US$ 98 bilhões. Segundo ela, a estratégia para o futuro envolve a ampliação da produção de hidrocarbonetos e da mineração para gerar recursos e garantir a continuidade de um crescimento sustentado.

“O produto interno bruto de hoje, ano de 2025, representa apenas 36% do que foi no ano de 2012. Nosso objetivo imediato, a médio e longo prazo, é recuperar sustentada e paulatinamente a renda dos trabalhadores mediante o crescimento produtivo, tanto na área dos hidrocarbonetos quanto da mineração”, afirmou Rodríguez. 

“E eu peço à Venezuela que comecemos a recuperação sustentada e mantenhamos este caminho do crescimento, mas que deve ser feito com prudência, com consciência, com paciência, mas com um profundo espírito de otimismo sobre o que o futuro reserva para a Venezuela”, completou.

Outros anúncios

A presidente propôs que a Venezuela adote “novo modelo econômico” que garanta o crescimento sustentado do país. Também defendeu um novo marco institucional do Estado, “ágil, eficiente, profissional e moderno”. Nesse sentido, ela sancionou uma lei que busca agilizar procedimentos burocráticos para facilitar trâmites, incluindo medidas para o retorno de venezuelanos que tenham migrado por causa da crise econômica.

Delcy Rodríguez anunciou ainda a criação de uma comissão para determinar a natureza estratégica dos ativos do Estado, mas descartou a possibilidade de privatização da PDVSA, a empresa petroleira estatal venezuleana. 

“Aqueles que sonham, que aspiram a privatização, por exemplo, da PDVSA para entregá-la a poderes transnacionais, simplesmente estão equivocados e se encontrarão com a fortaleza de um povo decidido a defender seus recursos estratégicos.”

Rodríguez também anunciou a criação de um Conselho Econômico Nacional, composto por representantes do Estado, do setor privado, e do poder popular, dedicado a elaborar um novo modelo tributário. Por outro lado, a presidenta anunciou que os recursos congelados no exterior, quando deixem de ser objeto de sanções, sejam usados ​​para aumentar os salários e reabilitar a infraestrutura básica, como escolas e hospitais.

Sobre as sanções econômicas, a Delcy Rodríguez convocou “todos os venezuelanos” a participar de uma caravana de mobilização nacional, a partir do dia 19 de abril, para exigir o fim das sanções.

“Quero convocar todos os setores políticos a deixarem de lado as diferenças e nos somarmos a uma grande peregrinação para lutar em conjunto, para elevar nossas vozes como uma só voz contra o bloqueio, para que cesse o bloqueio e cessem as sanções ao nosso país. Essa peregrinação iniciará no 19 de abril, percorrerá toda a Venezuela e chegará a Caracas no 1º de maio”, convocou.

Fonte Original

Inflexão na conjuntura? | Brasil de Fato

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