Da Redação
Goleiro titular do Cruzeiro, Cássio desabafou, nas suas redes sociais, sobre a situação educacional da sua filha Maria Luiza. Autista, ele teve sua matrícula recusada em algumas escolas de Belo Horizonte, e seu pai desabafou dizendo, entre outras coisas, que ‘corta o coração’.
— Hoje, como tantos outros pais de crianças autistas não verbais, venho compartilhar algo muito doloroso. Tenho tentado matricular minha filha em diferentes escolas, mas a resposta quase sempre é a mesma: ela não é aceita. Tudo isso porque a Maria tem uma pessoa especializada que a acompanha desde os seus 2 anos de idade — começou dizendo Cássio nas suas redes sociais.
Na sequência, o goleiro apontou o investimento feito para trazer de São Paulo para Minas Gerais, a profissional que acompanha sua filha. Além disso, ele reforçou que nas reuniões em que participou com as escolas, ele e sua esposa sempre se colocam à disposição para colaborar. Mas, sem efeito.
Na sequência, Cássio fez criticou às escolas:
— Se não fosse por uma única escola ter aceitado a minha filha, a Maria simplesmente não teria como estudar em Belo Horizonte. O mais triste é ouvir justamente de escolas que se apresentam como ‘inclusivas’, que dizem aceitar todos os tipos de crianças. A realidade, no entanto, é bem diferente — desabafou o jogador.
O que diz a lei?
Desde 2012, existe a Lei Berenice Piana, que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos das Pessoas com TEA, reconhecendo o autismo como uma deficiência para todos os efeitos legais. O que assegurou aos autistas os mesmos direitos previstos para as pessoas com deficiência, como a educação.
Assim, conforme a lei, uma criança autista tem direito ao acompanhamento escolar especializado, como reclamou o goleiro Cássio.
Veja o desabafo completo de Cássio
“Hoje, como tantos outros pais de crianças autistas não verbais, venho compartilhar algo muito doloroso. Tenho tentado matricular minha filha em diferentes escolas, mas a resposta quase sempre é a mesma: ela não é aceita.
Tudo isso porque a Maria tem uma pessoa especializada que a acompanha desde os seus 2 anos de idade. Esse profissional veio com a gente de São Paulo, conhece a Maria profundamente, tem a confiança dela e poderia ajudá-la dentro de sala sem atrapalhar em nada o andamento das atividades. Mesmo assim, as escolas não aceitam essa ajuda.
Muitas vezes, somos chamados para conversar, eu e minha esposa vamos até a escola, explicamos tudo, mostramos disposição em colaborar. No final, a resposta é sempre negativa.
Se não fosse por uma única escola ter aceitado a minha filha, a Maria simplesmente não teria como estudar em Belo Horizonte. O mais triste é ouvir justamente de escolas que se apresentam como ‘inclusivas’, que dizem aceitar todos os tipos de crianças. A realidade, no entanto, é bem diferente”.
Como pai, ver sua filha rejeitada simplesmente por ser autista é algo que corta o coração. Inclusão não é só palavra bonita em propaganda, é atitude. E ainda estamos muito longe de viver isso de verdade”.
O que significa autista não verbal?
O autista não verbal pode ter dificuldades significativas ou, nos casos mais extremos, não utilizar a fala para se comunicar. Contudo, elas podem se expressar de outras formas, que incluem o uso de gestos, linguagem corporal, sistemas de símbolos visuais ou até dispositivos eletrônicos que produzem voz. A ausência de fala não significa que o autista tenha dificuldade de compreensão, mas apenas ser necessárias estratégias de comunicação para que eles sejam incluídos no ambiente que convivem, seja na escola ou no trabalho.


