quarta-feira, junho 10, 2026
spot_img
InícioPOLITICAMinas Gerais está na mira das tarifas de Trump? Economista

Minas Gerais está na mira das tarifas de Trump? Economista

0:00

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mais uma vez tomou decisões  econômicas controversas na aplicação de taxas adicionais a alguns países. Nessa segunda-feira (10), o presidente assinou ações executivas que taxam em 25% as importações de aço e alumínio e cancelou isenções e cotas para o Brasil e outros importantes fornecedores. 

Questionamentos sobre os impactos dessa e de outras possíveis taxações no Brasil tomaram conta das conversas entre brasileiros. E em Minas Gerais? Haveria algum impacto específico? O Brasil de Fato MG conversou com um economista para esclarecer as dúvidas e entender melhor o cenário.

:: Entenda melhor: Minas Gerais e a nova guerra comercial de Trump: o que esperar? ::

Ricardo Ruiz,  professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), explica que o comércio exterior do Brasil, em termos de exportações, tem uma participação relativamente pequena dos Estados Unidos. 

“Por exemplo, considerando o período de 2020 a 2024, a participação dos Estados Unidos foi de pouco mais de 11% das nossas exportações”, detalha. 

A China, por outro lado, alcançou quase 30%, enquanto o Mercosul chegou a aproximadamente 11%. A Europa responde por cerca de 15% das exportações brasileiras. 

“Se combinarmos China, Estados Unidos, Mercosul e Europa, estamos falando de cerca de 60% das nossas exportações. Isso mostra que as exportações brasileiras são relativamente diversificadas, não concentradas em um único país, o que é positivo, pois eventos como este tendem a ter um impacto modesto na economia brasileira como um todo”, salienta. 

Brasil X Estados Unidos

No caso das relações Brasil-Estados Unidos, o item mais importante nas exportações para o período de 2024-2025 é o aço, que representa aproximadamente 17% de tudo que o país exporta para os Estados Unidos, segundo o economista. 

“Assim, a intervenção de Trump em relação ao Brasil tem relevância significativa. Esses 17% de exportações de ferro e aço para os Estados Unidos correspondem a 43% de toda a exportação de aço brasileira. Ou seja, quase metade do aço exportado pelo Brasil tem como destino os Estados Unidos”, pondera. 

:: Receba notícias de Minas Gerais no seu Whatsapp. Clique aqui ::

Quando o governo norte-americano impõe tarifas de importação de forma generalizada, isso afeta também o Brasil, mas de forma isonômica em relação a outros países exportadores, como México, Canadá, China e algumas nações europeias, como Alemanha e Bélgica, explica o professor. 

Dessa forma, a competitividade relativa desses países se mantém, embora haja favorecimento da produção doméstica nos Estados Unidos.

“A tendência é que os exportadores para os Estados Unidos percam espaço para a oferta doméstica norte-americana, o que pode impactar negativamente o Brasil nesse segmento específico de ferro e aço. Contudo, considerando o conjunto das exportações brasileiras, o impacto é pequeno, afetando apenas cerca de 1,9% do total das nossas exportações globais”, destaca. 

“Isso é positivo para o Brasil, pois o impacto não compromete significativamente a economia como um todo. No entanto, para o setor siderúrgico, o efeito é relevante”, continua. 

Minas Gerais na balança

No setor siderúrgico, os estados mais afetados são aqueles com grandes indústrias exportadoras de aço. O principal é o Rio de Janeiro, segundo Ricardo Ruiz, com usinas siderúrgicas em Volta Redonda, por exemplo, que vendem grandes volumes de aço para os Estados Unidos. Em seguida, vêm o Espírito Santo e Minas Gerais, com participação semelhante nas exportações de aço para os Estados Unidos.

“A produção siderúrgica de Minas Gerais é diversificada: parte das exportações vai para os Estados Unidos, outra parte para a China, o que reduz o impacto das tarifas norte-americanas. Minas Gerais também exporta para o Japão, Coreia do Sul, Singapura e outros mercados, diluindo ainda mais o impacto”, observa. 

Para ele, embora o impacto seja significativo para o setor siderúrgico, para o Brasil como um todo, o efeito é pequeno, devido à diversificação da pauta exportadora. 

“Países como México e Canadá, mais dependentes do mercado americano, são mais vulneráveis a essas medidas”, sinaliza. 

Segundo o economista, cerca de 25% da produção de aço de Minas Gerais é destinada aos Estados Unidos, enquanto os outros 75% são exportados para diversos países, como Argentina, Japão, Coreia do Sul e Singapura. 

“Embora o mercado americano seja importante, Minas Gerais está relativamente protegida de decisões radicais, como as do ex-presidente Donald Trump”, chama a atenção. 

O futuro é uma incógnita 

O Brasil, de forma geral, também se beneficia dessa diversificação, segundo ele, o que explica o impacto modesto nas variáveis macroeconômicas, como a taxa de câmbio.

O problema, no entanto, é que os efeitos não se limitam ao impacto direto. “Se a China, por exemplo, encontrar barreiras para exportar aço aos Estados Unidos, buscará outros mercados, o que pode aumentar a concorrência para o Brasil, tanto no mercado internacional quanto no doméstico”, alerta. 

“Assim, embora o impacto direto da medida de Trump afete apenas 1,9% das exportações brasileiras, os efeitos indiretos podem ser mais significativos, devido à busca de novos mercados por parte de outros países exportadores. Ainda veremos as consequências completas dessas mudanças no futuro”, afirma.

Edição: Ana Carolina Vasconcelos

Fonte Original

Conceição do Mato Dentro reforça debate sobre diversificação econômica com segundo fórum em seis meses

Quando uma cidade realiza dois fóruns sobre diversificação econômica com apenas seis meses de intervalo entre eles, o recado é claro: o futuro não...

Construir a nova Ásia de nossos sonhos

O crescimento econômico por si só não garante a soberania genuína na Ásia; uma plataforma regional de coordenação continua sendo uma necessidade material vital...
ARTIGOS RELACIONADOS
Anúncio
Google search engine

MAIS POPULAR