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Ícone do Carnaval paulistano, Ideval Anselmo morre aos 85 anos

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O compositor Ideval Anselmo, referência histórica em samba-enredo do Carnaval paulistano, morreu aos 85 anos, nesta quarta-feira (18), em São Paulo. O velório é realizado no Cemitério Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte da cidade, nesta quinta-feira (19).

Com mais de 25 sambas-enredo na carreira, Ideval se consolidou como um guardião da memória e das tradições do samba. Integrante da Embaixada do Samba Paulistano desde 2005, lançou em 2012 seu primeiro álbum autoral, reunindo sambas-enredo, o ijexá “Tesouro Africano” e composições em estilo gafieira.

Mesmo após deixar os desfiles, manteve-se ativo na defesa de um Carnaval mais fiel às raízes comunitárias. Fora da avenida, criticou o predomínio de sambas técnicos e descritivos e afirmou que a festa é popular e pertence ao povo, defendendo a irreverência e a força coletiva do samba.

Em episódio do podcast Memórias de Batuque, do Brasil de Fato, Ideval relembrou o início da trajetória. Nascido em 18 de setembro de 1940, em Catanduva, Ideval cresceu em Votuporanga, no interior paulista, em uma família simples. O interesse artístico surgiu em casa, influenciado pelo avô sanfoneiro, pela avó cantora e pelo pai cavaquinista. Ainda adolescente, estudou na escola de música da prefeitura e tocou trompete na banda da cidade.

Nos anos 1960, mudou-se para São Paulo, onde trabalhou como torneiro mecânico. A aproximação com o Carnaval veio ao acompanhar os antigos cordões da cidade, onde descobriu as alas dos compositores. Em 1971, passou a integrar a Camisa Verde e Branco, marcando sua entrada definitiva nas escolas de samba e iniciando uma trajetória que ajudaria a moldar o Carnaval paulistano.

Em 1972, na estreia na ala de compositores, Ideval venceu a disputa com o samba “Literatura de Cordel”, escolhido para desfilar na avenida. Em 1974, venceu com o enredo “Nega Fulô” e, dois anos depois, participou de um tricampeonato que consolidou seu nome. Seu estilo, de refrões diretos, melodiosos e de forte comunicação com o público, tornou-se marca registrada.

Anselmo foi um dos autores de “Narainã, a Alvorada dos Pássaros”, samba-enredo da Camisa Verde e Branco em 1977, considerado por muitos o maior da história do Carnaval paulistano. Em 1999, a obra foi eleita o “samba do século” em concurso promovido pela Folha de S.Paulo.

Com o refrão “Era de manhã / Narainã ali chegou / No reino encantado / Oh sinfonia, a patativa que cantou”, o samba narra uma lenda indígena sobre uma jovem prometida a um pajé que é transformada em ave. A composição é assinada por Jordão, Zelão e Ideval Anselmo, o Seu Ideval.

Nos anos 1980, ampliou sua atuação para além da Camisa Verde e Branco. Participou da fundação da Tom Maior, conquistou o bicampeonato na Rosas de Ouro em 1984 e, na Unidos do Peruche, assinou sambas marcantes como “Água Cristalina” e “Os Sete Tronos dos Divinos Orixás”, de 1989, reconhecido por levar à avenida a religiosidade e a herança africana.

Suas obras foram interpretadas por nomes como Jamelão, Eliana de Lima, Thobias da Vai-Vai, Fabiana Cozza, Denise Camargo e pelo grupo Originais do Samba. Parte desse repertório foi reunida no álbum lançado em 2012, dentro do projeto Memória do Samba Paulista, do Kolombolo Diá Piratininga.

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