quarta-feira, junho 10, 2026
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Governos latino-americanos condenam ataque dos EUA à Venezuela e defendem soberania regional

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Os bombardeios realizados pelos Estados Unidos contra a Venezuela na madrugada deste sábado (3) provocaram reações imediatas de chefes de Estado da América Latina. Presidentes e chancelerias de países da região repudiaram a ação militar, classificaram a ofensiva como uma violação à soberania venezuelana e exigiram que o conflito seja resolvido por meios pacíficos e multilaterais.

Os governos também alertaram para os riscos que a ação unilateral representa para a estabilidade da América Latina e do Caribe, região que, desde 2014, é reconhecida como “zona de paz” por acordo firmado no âmbito da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).

México

O governo do México condenou energicamente as ações militares executadas unilateralmente pelas forças armadas dos Estados Unidos em território da República Bolivariana da Venezuela durante a madrugada deste sábado.

Diante da agressão ilegal, a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, lembrou que “a América Latina e o Caribe são uma zona de paz”, ressaltando que “qualquer ação militar coloca em grave risco a estabilidade regional”.

Além disso, Sheinbaum afirmou em suas redes sociais que as ações realizadas pelas forças militares dos Estados Unidos violam o artigo 2 da Carta da ONU e reiterou a necessidade de respeitar o direito internacional e os princípios da paz regional.

A declaração de Sheinbaum foi acompanhada de um comunicado oficial do Ministério das Relações Exteriores, no qual se exorta a Organização das Nações Unidas a “agir imediatamente para contribuir com a redução das tensões, facilitar o diálogo e gerar condições que permitam uma solução pacífica, sustentável e de acordo com o direito internacional”.

Colômbia

Por sua vez, o governo da Colômbia descreveu os ataques como uma “agressão à soberania da Venezuela e da América Latina”. Por meio de suas redes sociais, o presidente colombiano, Gustavo Petro, anunciou a ativação de um Conselho de Segurança Nacional e o envio de forças públicas à fronteira comum.

Petro afirmou que “a Colômbia reafirma seu compromisso irrestrito com os princípios consagrados na Carta das Nações Unidas, em particular o respeito à soberania e à integridade territorial dos Estados, a proibição do uso ou da ameaça do uso da força, e a solução pacífica das controvérsias internacionais. Nesse sentido, o governo colombiano rejeita qualquer ação militar unilateral que possa agravar a situação ou colocar a população civil em risco”.

Chile

O presidente do Chile, Gabriel Boric, expressou sua “preocupação e condenação” pelas ações militares dos Estados Unidos na Venezuela e conclamou a uma solução pacífica. Boric reafirmou a adesão do Chile aos princípios do direito internacional e destacou que a crise venezuelana deve ser resolvida por meio do diálogo e do multilateralismo, rejeitando a violência e a intervenção estrangeira como formas de solucionar conflitos regionais.

“Chile reafirma sua adesão a princípios básicos do direito internacional, como a proibição do uso da força, a não intervenção, a solução pacífica das controvérsias internacionais e a integridade territorial dos Estados. A crise venezuelana deve ser resolvida por meio do diálogo e do apoio ao multilateralismo, e não pela violência ou pela intervenção estrangeira”, afirmou Boric.

Uruguai

O presidente uruguaio, Yamandú Orsi, compartilhou o comunicado oficial do governo do Uruguai, no qual se afirma que “o Uruguai rejeita, como sempre fez, a intervenção militar de um país em território de outro e reafirma a importância de respeitar o direito internacional e a Carta das Nações Unidas, em particular o princípio básico de que os Estados devem abster-se de recorrer à ameaça ou ao uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, ou de qualquer outra forma incompatível com os propósitos das Nações Unidas”.

Além disso, o Uruguai assegurou que “reafirmamos o caráter da América Latina e do Caribe como uma zona de paz e livre de armas nucleares, como tem sido a posição consensual da nossa região”.

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