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Tensão e riscos de segurança marcam o quinto dia de paralisação dos petroleiros

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A greve nacional dos petroleiros chega ao seu quinto dia nesta sexta-feira (19) com um cenário de crescente tensão e ampliação do movimento em todo o país. O impasse entre a categoria e a Petrobras ganhou novos contornos após um vazamento de gás na plataforma P-40, localizada na Bacia de Campos, unidade que operava sob o comando de equipes de contingência montadas pela empresa. 

Embora o incidente tenha sido controlado após um desligamento total da operação (shutdown), o episódio serviu para referendar as críticas da Federação Única dos Petroleiros (FUP) sobre a precariedade das condições de trabalho durante o movimento.

As entidades sindicais intensificaram as denúncias de que a gestão da companhia tem imposto jornadas excessivas e promovido a retenção forçada de trabalhadores a bordo das unidades. 

Segundo a entidade, há relatos graves de práticas de assédio e da utilização de profissionais em funções para as quais não possuem a habitualidade necessária, o que, segundo os grevistas, compromete severamente a segurança operacional e ambiental. 

Deyvid Bacelar, coordenador-geral da FUP, disse em nota divulgada pela Federação que “a ocorrência transforma um conflito trabalhista em um problema concreto de segurança, com impactos na produção, no meio ambiente e na integridade dos trabalhadores”.

O histórico deste movimento remete à mobilização que ganhou corpo ao longo da semana, quando mais de 60 unidades e plataformas já haviam aderido ao movimento até a quinta-feira (18), refletindo uma insatisfação acumulada quanto à manutenção de direitos e à sustentabilidade da Petros, o fundo de pensão da categoria. 

Adesão total em Pernambuco e Amazonas

Em estados como Amazonas e Pernambuco, o movimento registra adesões totais na operação, com cortes de rendição de turno que forçam a empresa a manter as atividades apenas por meio de equipes de contingência definidas unilateralmente.

A situação é classificada como extremamente crítica por lideranças sindicais do Norte Fluminense, que monitoram de perto os desdobramentos na Bacia de Campos, onde 26 unidades aderiram à greve. 

De acordo com Alexandre Vieira, diretor de Saúde e Segurança do Sindipetro-NF, “a gente vive um momento extremamente tenso. Há plataformas operando sem a composição adequada de equipes, com profissionais exercendo funções críticas sem a experiência e habitualidade necessária, inclusive em áreas sensíveis como a de SMS (saúde, meio ambiente e segurança). Isso torna uma situação que já era difícil ainda mais preocupante”. 

Diante da gravidade dos fatos, a FUP mantém a exigência de abertura imediata de negociações para a definição conjunta de efetivos mínimos, visando preservar a integridade física dos trabalhadores e o patrimônio da estatal.

O sindicato questiona o discurso de contenção de gastos da empresa enquanto são divulgados lucros recordes, com R$ 32,7 bilhões destinados aos acionistas. Entre os pontos de divergência estão a proposta de alterar cláusulas sob análise judicial, a inclusão de uma cobrança adicional para cobrir custos administrativos do plano de saúde, que diminuiria o ganho real de 0,5% na Remuneração Mínima por Nível e Regime (RMNR), a redução de postos de trabalho e a antecipação da Participação nos Lucros ou Resultados (PLR), vista como “pegadinha” pelos trabalhadores”.

Até o momento, a paralisação atinge 9 refinarias, 28 plataformas offshore, 16 terminais operacionais, 4 termelétricas, 2 usinas de biodiesel, 10 instalações terrestres operacionais (onshore), 2 bases administrativas e 3 unidades de SMS, configurando um movimento de alcance nacional.

A reportagem procurou a Petrobras questionando a empresa a respeito da greve dos petroleiros, bem como sobre as acusações da FUP a respeito das denúncias de jornadas excessivas, retenção de equipes e assédio, enquanto vazamento em plataforma acende alerta sobre segurança operacional. Os questionamentos não foram respondidos até o momento.

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