quarta-feira, junho 10, 2026
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Lula crítica Direita, Zema e Bolsonaro em visita a Minas

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumpriu agenda em Minas Gerais nesta quinta-feira (11) e combinou a inauguração de novos centros de radioterapia em cinco municípios do país com uma série de declarações políticas. Durante discursos e entrevistas, Lula fez críticas à direita, voltou a responsabilizar Jair Bolsonaro (PL) pelas mortes na pandemia, reforçou ataques ao governador Romeu Zema (Novo) e defendeu mudanças urgentes no combate ao feminicídio.

Lula inaugurou o novo centro de radioterapia do Hospital Nossa Senhora das Dores, em Itabira, com entregas simultâneas de aceleradores lineares em Goiânia (GO), São Luís (MA), Marília (SP) e Colatina (ES). Os equipamentos fazem parte do programa Agora Tem Especialistas, que busca reduzir o tempo de espera por atendimentos especializados, principalmente no tratamento de câncer.

O governo informou que investiu R$ 67,5 milhões na aquisição dos novos equipamentos. Com os 22 aceleradores lineares entregues neste ano, todos os estados passam a contar com centros de radioterapia.

Durante a visita, Lula também anunciou R$ 100,2 milhões para a expansão da rede de saúde mineira por meio do Novo PAC. Estão previstas duas novas policlínicas em Ipatinga e Divinópolis, além de três Centros Especializados em Reabilitação (CERs) em Betim, Juiz de Fora e Muriaé.

Outras 32 Unidades Odontológicas Móveis serão entregues a cidades mineiras, ampliando a atenção primária no estado.

Lula critica Bolsonaro por condução da pandemia

Durante a inauguração do centro de radioterapia em Itabira, Lula afirmou que, se estivesse na Presidência durante a pandemia de Covid-19, teria evitado entre 70% e 80% das mortes registradas no país.

“Se eu fosse presidente da República naquela época (da pandemia da Covid) e o Padilha fosse ministro da Saúde, eu duvido que a gente não tivesse salvo 70% ou 80% das pessoas que morreram por falta de vergonha e responsabilidade de um presidente que ficava na televisão imitando as pessoas que estavam com covid e zombando da saúde das pessoas que morreram”, afirmou.

O Brasil registrou mais de 700 mil mortes na crise sanitária. Lula não citou Bolsonaro nominalmente, mas criticou episódios em que o ex-presidente imitou pessoas com falta de ar.

Apoio a Rodrigo Pacheco em Minas

Durante a agenda em Minas, Lula reafirmou seu apoio ao senador Rodrigo Pacheco (PSD) como nome para o governo estadual em 2026. O presidente chamou o parlamentar de “a maior referência política do estado” e disse manter esperança de que ele dispute o cargo.

Mesmo com o apoio reiterado, Pacheco não acompanhou Lula na visita, alegando incompatibilidade de agenda. Lula também citou Alexandre Kalil (PSD) como possível alternativa, lembrando a aliança formada nas eleições de 2022.

A visita do presidente ocorreu sem a presença de Romeu Zema, que não tinha compromissos oficiais marcados durante as agendas de Lula no estado.

Lula também comentou, em entrevista, a movimentação da oposição para as eleições presidenciais de 2026. Ele ironizou o número de pré-candidatos ligados à direita, citando nomes como Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e Romeu Zema, e afirmou que a indefinição revela fragilidade.

O presidente voltou a defender que Jair Bolsonaro precisa ser responsabilizado pela tentativa de golpe. Sobre o projeto de lei da Dosimetria, que pode reduzir penas para condenados por tentativa de golpe, Lula disse que tomará a decisão “com Deus” caso o texto chegue ao Planalto, evitando cravar se vetará.

Ele também prometeu criar o Ministério da Segurança Pública caso a PEC que trata do tema avance no Congresso.

Leia também:

Críticas à violência contra a mulher e cobrança por mudança de conduta

Nos eventos em Itabira e Belo Horizonte, Lula fez um apelo direto aos homens ao tratar da alta nos casos de feminicídio. Ele afirmou que a violência contra mulheres “não é um problema delas, mas dos homens” e defendeu mudanças estruturais na formação e educação masculina.

Segundo o presidente, o endurecimento das penas não basta para conter assassinatos, espancamentos, atropelamentos ou ataques contra gestantes. Ele defendeu que o tema esteja presente no currículo escolar, como parte de um processo educativo de longo prazo.

Ao mencionar episódios recentes de violência extrema, Lula questionou: “Que pena merece um homem que agiu assim?”. Segundo ele, nenhuma punição compensa a perda das vítimas, e a raiz do problema está na construção social do comportamento masculino.

“Ninguém é pobre por opção”, afirma Lula

Ainda em Itabira, Lula disse que seu objetivo é garantir condições básicas de vida para a população: “Se o brasileiro ou brasileira tiver tomando o café da manhã, almoçando ou jantando, eu já terei cumprido a missão da minha vida”.

Ele afirmou que o povo busca mais do que comida: emprego, salário digno, saúde, moradia e condições adequadas. Lula também disse que “ninguém gosta de ser pobre” e não conhece quem viva nessa condição por escolha. “Ninguém é pobre por opção. Eu não conheço ninguém, que diz: ‘eu nasci, mas eu quero ser pobre’”.

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