Ainda sem consenso entre os países, a COP30, estendida até este sábado (22), segue sem previsão de encerramento oficial. A plenária que marcaria a assinatura do documento final, agendada para as 11h, mas iniciada somente próximo de 13h, foi suspensa após depoimentos marcantes de discordância com os indicadores aprovados.
Ao falar em negacionismo climático e falta de transparência, a representante da Colômbia se negou a assinar o documento e pediu condições mínimas de discutir combustíveis fósseis e o que a ciência tem apresentado como indicadores concretos.
“O desfecho não pode ignorar a ciência, que aponta que mais de 75% das emissões de CO2 vêm de combustíveis fosseis. Não há mitigação se não pudermos discutir a transição de combustíveis fosseis, que inclui medidas de implementação de maneira organizada e justa”, declarou a representação colombiana.
A fala foi feita por uma representante, pois a ministra do Meio Ambiente da Colômbia, Irene Velez, deixou a plenária durante as discussões do texto final em repúdio aos indicadores apresentados. “A Colômbia veta o texto e não aceitará um resultado fraco”, indicando ainda que “ou há ambição ou não há acordo”.
Aplaudido pela plenária, o ministro do Meio Ambiente de Serra Leoa e líder dos negociadores africanos, Jiwoh Abdulai, também negou assinatura e reforçou a importância de respeito à ciência, destacando que para além de técnicos, os documentos discutidos na COP30 são também uma questão de sobrevivência.
“Estamos saindo da COP com indicadores que não são claros, que não são mensuráveis e, em muitos casos, não podem ser utilizados. Então precisamos nos perguntar, como estamos ajudando os mais vulneráveis com essa qualidade dos desfechos que chamamos de ambição? Que mensagem é enviada quando não ouvimos os especialistas e não levamos em conta as realidades daqueles que estão na linha de frente?”, questionou Abdulai.
Na mesma linha, outros países questionaram pontos como a falta de tempo hábil para apreciar os documentos apresentados na madrugada deste sábado (22), a ausência de temas fundamentais como a transição justa, o fim dos combustíveis fósseis e maior proteção às terras indígenas.
“Os indicadores não são claros e nem são úteis para o proposito principal, que é o segundo balanço global. Não vamos apoiar os indicadores nesse momento e estamos juntos com os outros que também não vão aceitar”, apontou a representação da União Europeia.
Outros países como Uruguai, Argentina, Paraguai, Panamá, Suíça e Canadá também apontaram divergência e negam assinatura ao documento. Uma coletiva de imprensa foi anunciada para acontecer após a Plenária de Encerramento.
Compromisso do presidente da COP30
Apesar dos questionamentos, o presidente da COP30, embaixador André Correa do Lago, declarou que mesmo com o encerramento da conferência, se comprometeria pessoalmente a manter responsabilidade de desenhar mapas do caminho para livrar a humanidade do desmatamento e dos combustíveis fosseis.
“Nós precisamos de mapas para que possamos ultrapassar a dependência dos fósseis de forma ordenada e justa. Eu vou criar dois mapas: um para reverter desmatamento e fazer transição para longe dos fósseis”, disse.


