quarta-feira, junho 10, 2026
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Na Cúpula do Fórum de Cooperação Ásia-Pacífico, China defende fortalecimento do multilateralismo — Brasil de Fato

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Durante a 32ª Reunião de Líderes Econômicos do Fórum de Cooperação Ásia-Pacífico (Apec), realizada em Gyeongju (Coréia do Sul), o presidente chinês Xi Jinping defendeu a necessidade de fortalecer o multilateralismo e a integração regional para garantir um desenvolvimento equilibrado e sustentável.

“Devemos manter-nos fiéis à missão fundacional do Apec, promover o crescimento econômico e melhorar o bem-estar dos povos”, declarou Xi Jinping, ao abrir seu discurso intitulado Construir uma Economia Inclusiva e Aberta de Ásia-Pacífico para todos.

O presidente destacou que o mundo atravessa “mudanças sem precedentes em um século” e que a região Ásia-Pacífico enfrenta crescentes incertezas. Diante disso, pediu aos países que “remem juntos, em vez de seguirem caminhos separados”, em defesa de um sistema econômico aberto e justo.

Abertura e comércio como pilares da recuperação

Xi Jinping afirmou que a China continuará promovendo a abertura de alto nível e incentivando o livre comércio.
“A porta da China ao mundo nunca se fechará — apenas se abrirá cada vez mais”, assegurou.

O líder chinês ressaltou o papel do país no comércio global: nos últimos cinco anos, a China foi o maior exportador de bens e o segundo maior em serviços, atraindo mais de US$ 700 bilhões em investimento estrangeiro. Segundo Xi, essa abertura contínua “criará novas oportunidades para a Ásia-Pacífico e para o mundo inteiro”.

O mandatário também enfatizou a necessidade de reforçar a Organização Mundial do Comércio (OMC) como eixo do sistema multilateral, com regras atualizadas e justas. “Devemos fortalecer a autoridade e a eficácia da OMC, protegendo os direitos e interesses legítimos dos países em desenvolvimento”, afirmou.

Transformação digital e transição verde

Outro ponto central do discurso foi a importância da inovação tecnológica e da sustentabilidade ambiental. Xi Jinping defendeu que a região avance na transformação digital e verde do comércio, integrando novas tecnologias às cadeias de suprimento.

“As tecnologias digitais devem ser um forte catalisador para o comércio transfronteiriço”, disse, ao destacar a criação de duas plataformas regionais: a Rede de Porto Eletrônico Ásia-Pacífico e a Rede de Cooperação em Cadeia de Suprimentos Verde, ambas impulsionadas por Pequim no marco do Apec.

O presidente também reiterou o compromisso chinês com o desenvolvimento de baixo carbono, lembrando que o país possui hoje “o maior sistema de energias renováveis do mundo” e vem liderando a cooperação internacional em projetos verdes.

Desenvolvimento inclusivo e erradicação das desigualdades

No campo social, Xi Jinping reforçou o princípio de um crescimento inclusivo centrado nas pessoas. “Devemos redobrar esforços para enfrentar os desequilíbrios no desenvolvimento e promover uma globalização econômica mais inclusiva e sustentável”, afirmou.

Ele também citou o papel da Iniciativa Cinturão e Rota (BRI) na ampliação de oportunidades para países em desenvolvimento. “A China já concedeu isenção tarifária total para 100% das linhas de produtos dos países menos desenvolvidos com os quais mantém relações diplomáticas”, disse o presidente, sinalizando que a medida pode ser estendida a mais parceiros africanos.

O eixo da multipolaridade

A participação da China na cúpula do Apec reforça a consolidação de um cenário multipolar, no qual diferentes polos econômicos compartilham responsabilidades pelo crescimento global. Ao enfatizar o multilateralismo e a abertura, Xi Jinping posiciona Pequim como defensora de uma ordem internacional baseada em regras e no equilíbrio entre economias emergentes e desenvolvidas.

O discurso indica uma estratégia diplomática de longo prazo, em que a China busca atuar como mediadora entre as demandas do Sul Global e os desafios das potências tradicionais. Ao propor maior integração e estabilidade nas cadeias de valor asiáticas, o país sinaliza que a prosperidade da região dependerá de uma cooperação coordenada e pragmática.

Além disso, a ênfase na transição verde e digital reflete a tentativa de reposicionar a Ásia-Pacífico como núcleo da inovação e da sustentabilidade global, em um momento em que a economia mundial busca novas fontes de crescimento.

Com a China prestes a sediar novamente a cúpula do Apec em 2026, a expectativa é de que o país utilize o evento para aprofundar sua imagem de parceiro confiável e fortalecer o papel da Ásia-Pacífico como motor do crescimento mundial.

*Com informações da Xinhua

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