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CPMI do INSS: empresário reconhece patrimônio, mas não explica origem

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O economista e empresário Fernando dos Santos Andrade Cavalcanti negou, nesta segunda-feira, ser o “laranja” do esquema de fraudes em aposentadorias e pensões durante depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS.

 “Deixo registrado que nunca fui laranja, operador ou beneficiário de qualquer esquema. Minha atuação sempre foi de gestor e os pagamentos por mim recebidos eram compatíveis com todas as funções que eu desempenhava com a minha vida empresarial.”

O empresário é ex-sócio do advogado Nelson Wilians, um dos alvos da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal e da CGU, Controladoria-Geral da União, que investiga as fraudes.

O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar, do União Brasil de Alagoas, questionou o patrimônio de Cavalcanti, que inclui carros importados, obras de arte, relógios de luxo e até uma adega milionária de vinhos. O empresário reconheceu o patrimônio milionário, mas não explicou a origem.

“Não há problema em exibir riqueza, não há problema em ter sucesso. O que nós queremos saber aqui é o quanto disso pertence aos aposentados e pensionistas. Essa é a grande dúvida. O senhor poderia dizer em 2017 exatamente qual era o valor do seu patrimônio? Responde: Eu estava vindo da Assembleia Legislativa, devia ser um patrimônio que não chegava a 100 mil reais.  O senhor é um exemplo izinho de sucesso na vida em pouco tempo. Uma pessoa que saiu de um salário de 5 mil reais para um patrimônio de milhões de reais.”

Logo no início do depoimento, Fernando Cavalcanti se recusou a prestar o compromisso de dizer a verdade. Ele também estava protegido por um habeas corpus concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux, fato que gerou críticas por parte dos parlamentares. É o caso do senador Marcos Rogério, do PL de Roraima.

“Eu acho que as decisões que estão partindo do Supremo Tribunal Federal, tem esvaziado o papel da CPMI. Há uma blindagem à investigação. Quando você vem para uma CPI, com um habeas corpus, ele não aceitou nem ser interrogado como testemunha. Não deu esclarecimentos, não deu maiores informações. Quando foi questionado sobre o patrimônio dele, ele disse que não saberia dizer. Então ele veio orientado a simplesmente não dar respostas, para mim está muito claro que ele é um lobista.”

Fernando Cavalcanti relatou ainda ser sócio de várias empresas nos segmentos de moda, restaurante, seguros e consultoria empresarial, sem conseguir explicar a origem dos recursos.


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