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Grito dos Excluídos e Excluídas em Porto Alegre defende projeto popular para o Brasil

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Movimentos sindicais e populares ocuparam as ruas de Porto Alegre, neste domingo (7), com o Grito dos Excluídos e Excluídas, em contraponto aos desfiles cívico-miliatares de 7 de setembro. O ato defendeu um projeto popular para o Brasil, com soberania, justiça social, direitos trabalhistas e rejeição à anistia para golpistas. A 31ª edição começou no parque Redenção pela manhã e seguiu em caminhada até o Largo dos Açorianos, onde ocorreu ato político.

O evento em Porto Alegre uniu-se a manifestações nacionais pela soberania, direitos e democracia, com o lema “sem anistia para golpistas, Bolsonaro na cadeia”. A abertura teve o músico José Martins, do grupo Unamérica, que cantou músicas de luta latino-americanas.

Integrante do Levante Popular da Juventude, Lucas Monteiro explica que o Grito dos Excluídos e Excluídas é uma ferramenta histórica para os movimentos sociais. “Esse ano a gente está com duas pautas importantes: o plebiscito popular pela taxação dos super-ricos e o fim da escala 6×1, e, claro, a defesa da nossa soberania nacional”, disse.

Ele destacou a participação das cozinhas solidárias da região Metropolitana de Porto Alegre, que foram responsáveis pelo almoço servido no ato. “Elas são essenciais para o combate à fome, para a segurança alimentar e para garantir que o povo gaúcho possa pautar sua soberania. O Grito é construído por muitas mãos, pela igreja, pelas pastorais, por vários segmentos, e a gente quer fortalecer e expandir isso pelo estado.”

“O Grito é construído por muitas mãos, pela igreja, pelas pastorais, por vários segmentos, e a gente quer fortalecer e expandir isso pelo estado”, afirma Monteiro – Foto: Jorge Leão

A representante do Fórum Sindical e Popular Vivian Zamboni destacou a contradição entre a data da independência e a realidade social do país. “Sou professora de História, mas preciso ensinar aos meus alunos que, apesar desta data marcar a independência do Brasil, ainda falta muito para a independência do povo brasileiro virar realidade. As desigualdades sociais, a miséria, os baixos salários, a falta de moradia e de saúde pública para todos nos fazem transformar este dia em mais um dia de luta.”

“Precisamos enfrentar Trump e a extrema-direita nas ruas e gritar: sem anistia, prisão para os golpista”, completou. Também ressaltou a solidariedade internacional que considera a mais importante na luta dos povos do mundo: “a defesa do povo palestino contra o exército fascista de Netanyahu”.

Defesa da soberania e fim da escala 6×1

As pautas trabalhistas também marcaram presença. O representante da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Rodrigo Callais, reforçou a importância da mobilização popular. “Hoje é dia de reafirmarmos a defesa da nossa soberania e da nossa democracia. Lula foi claro: nós não vamos voltar a ser colônia de ninguém. O povo brasileiro vai sair mais forte dessa tentativa de intervenção do imperialismo norte-americano.”

Ele também defendeu pautas do plebiscito popular, como o fim da escala 6×1, a redução da jornada sem corte de salários, a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil e a taxação das grandes fortunas. “Lugar de quem tenta golpe é na cadeia. Bolsonaro e seu filho conspirador nos Estados Unidos precisam estar na prisão. Sem anistia!”

Ato destacou a soberania nacional e a atuação das cozinhas solidárias – Foto: Jorge Leão

Já o dirigente da a Força Sindical, Cláudio Correa, alertou para a gravidade do momento político. “Nada vai ser fácil, mas nós temos a força da luta dos trabalhadores. Alguém tem dúvida que a eleição no Brasil já começou? Precisamos reagir e trabalhar. Bolsonaro e sua família não vão sair do país de avião, de lancha, de moto. Vão sair dentro de um camburão levados para a prisão. Quem faz paga, e eles têm que pagar”, opinou.

Para ele, o plebiscito popular é uma resposta ao país.“Queremos jornada cinco por dois, queremos isenção até R$ 5 mil e taxação maior acima de R$ 50 mil.”

Na mesma linha, o presidente estadual da Central Única dos Trabalhadores (CUT/RS), Amarildo Cenci, também se posicionou contra a anistia. “Tem muito traidor e antipatriota que agora quer se livrar com uma anistia sem fundamento. Querem tirar os amiguinhos da cadeia. Mas essa semana eles vão para a prisão, e vai ser bom ver milico na cadeia junto com Bolsonaro. Nós queremos mais liberdade e melhores condições de trabalho. O fim da escala 6×1 é fundamental. Enquanto a elite trabalha 2 por 5, o povo brasileiro sofre jornadas extenuantes.”

Ato político após caminhada pelas ruas do centro de Porto Alegre | Foto: Jorge Leão

Unidade latino-americana e combate ao imperialismo

Representante da Intersindical, Neiva Lazzarotto defendeu a integração latino-americana e criticou a intervenção dos EUA. “A nossa soberania é popular, das nossas riquezas e do destino da nação. Estamos nas ruas contra qualquer intervenção do imperialismo decadente norte-americano. Precisamos derrotar a escala escravista, derrotar a direita e a extrema-direita. Sem anistia para golpistas, queremos ver Bolsonaro e seus generais na prisão”, disse.

Ela também reforçou a defesa do serviço público e das estatais.“Temos riquezas e terras raras que os Estados Unidos querem tomar de nós. Não vamos deixar. Mais universidades, mais Petrobras, mais Embrapa para construir um país soberano.”

Ainda dentro da análise internacional e nos impactos na soberania nacional, o dirigente da Central Sindical e Popular (CSP-Conlutas), Alexandre Nunes, criticou empresas multinacionais e o modelo de pejotização. “Trump está de olho na Petrobras, na Amazônia e nas terras raras. Quer intervir na política e tirar Bolsonaro da cadeia. Esse mesmo Bolsonaro responsável pelo genocídio na pandemia e pela reforma da Previdência. Hoje vemos empresas como Uber, Shopee e Mercado Livre lucrando com a pejotização e destruindo direitos históricos. Precisamos dizer: um Brasil soberano é um Brasil sem escala 6×1 e sem pejotização. Isso só será conquistado com unidade independente da classe trabalhadora.”

Neste contexo, o representante da Pública Central Sindical, Paulo Olímpio, enfatizou a importância da união. “Aqui não tem servidor ou trabalhador separado, aqui só tem as pessoas que fazem o Brasil andar. Estamos nessa luta pela redução da jornada, pela redução da tributação e contra a destruição do Estado democrático de direito. Fora traidores, cadeia para eles! A sensação é de resistência, porque nossa luta é constante.”

“O povo brasileiro vai sair mais forte dessa tentativa de intervenção do imperialismo norte-americano”, destaca Callais – Foto: Jorge Leão

Mobilização contra o capitalismo

Também presente no ato, parlamentares gaúchos reforçaram as críticas apontadas pelas lideranças sindicais. Em nome da direção estadual do PT, a deputada estadual Sofia Cavedon (PT) falou da importância da mobilizção popular e da atuação dos partidos. “Sabemos do tamanho da nossa responsabilidade na mobilização do povo brasileiro nesse momento decisivo”, declarou.

Para ela, Bolsonaro e a extrema direita são “a célula do capitalismo neoliberal predador”. Cavedon avalia que a luta tem que ser feita pelo povo brasileiro irmanado com os povos do mundo. “A verdadeira independência é a força das nossas entidades, das instituições, da justiça, da Constituição, se impondo aos golpistas que transformam a vida em dinheiro e privatiza”, disse.

Já o vereador de Porto Alegre Roberto Robaina (Psol) falou sobre a participação da presidente do Psol-RS, Gabi Tolotti ,em uma flotilha a Gaza contra o “cerco do fascista Estado de Israel”. Também afirmou que o julgamento que está acontecendo no Supremo Tribunal Federal é uma “vitória democrática histórica” e que “é fundamental que Bolsonaro e generais estejam atrás das grades.

“A anistia é um movimento para unificar a direita e a extrema direita, para garantir a candidatura competitiva do Tarcísio. Nós sabemos que o plano da burguesia brasileira é aplicar no Brasil o plano que vem sendo executado na vizinha Argentina”, pontuou. O parlamentar criticou o Congresso por articular a anistia e defendeu mobilização para “derrotar a extrema direita e o neoliberalismo”.

Ato defendeu um projeto popular para o Brasil, com soberania, justiça social, direitos trabalhistas e rejeição à anistia para golpistas – Foto: Jorge Leão

“O que querem é lei de impunidade”

Pelo PCdoB, Guiomar Vidor lembrou a trajetória do partido na defesa da democracia. “Vivemos mais de 40 anos na clandestinidade, perseguidos pelos que hoje falam em anistia. Mas o que eles querem é, na verdade, uma lei de impunidade”, afirmou. Ele defendeu mobilização por avanços no governo Lula, como o fim da escala 6×1 e a taxação de grandes fortunas.

Já Régis Mansur, do PSTU, defendeu a prisão imediata de Bolsonaro e golpistas. “O nosso país nunca foi soberano, é tratado como quintal dos Estados Unidos. A verdadeira soberania só será atingida no socialismo”, afirmou. Ele cobrou independência diante do governo Lula: “A independência da classe trabalhadora diante de qualquer governo é o único caminho”.

Críticas ao arcabouço fiscal e defesa da revolução socialista

Representante do PCBR, Júlio Neto questionou a soberania do governo. “O Brasil é um capitalismo subordinado ao imperialismo norte-americano. Não existe soberania enquanto se mantiver o arcabouço fiscal e a escala 6×1”, disse. Ele defendeu “o fim do peleguismo” e “uma revolução socialista no Brasil”.

O vereador Pedro Ruas (Psol) defendeu que os julgamentos sobre a tentativa de golpe do 8 de janeiro devem resultar em “punições exemplares”. “Vamos mostrar que podemos não apenas condenar a direita, mas colocar a direita na cadeia. Não é prisão domiciliar, é cadeia de verdade”, disse. Para ele, “a luta é agora”.

Também estiveram presentes a deputada federal Maria do Rosário, o vereador Jonas Reis e o deputado Miguel Rossetto, do PT.

Cartaz contra a anistia aos golpistas estendido em viaduto | Foto: Jorge Leão

Movimentos sociais na luta por direitos

“A juventude está nas ruas lutando pela soberania e exigindo a prisão de Bolsonaro e de todos os que retiram direitos do povo. Dizem que a juventude é o futuro, mas o que estamos tendo no presente? Nada. Estão nos tirando a educação e os direitos. Por isso, hoje a nossa tarefa é mostrar que os verdadeiros patriotas somos nós, que lutamos pelo Brasil estatal, por um país soberano e independente”, afirmou o representante da União de Estudantes Santa-Cruzenses (Uesc), Matheus Melo, que encerrou chamando a juventude a se unir à classe trabalhadora pela revolução socialista.

Do movimento Juntos, João José Eduardo ressaltou o porquê de estar na rua neste 7 de setembro.“Para defender a prisão de Bolsonaro e dos golpistas, para enfrentar a anistia e também para lutar pelo fim da escala 6×1, pela implementação de cotas trans nas universidades, contra o genocídio de negros e indígenas e contra a cultura do estupro. Defender a soberania popular é também defender os povos oprimidos, como a Palestina, massacrada diariamente pelo Estado genocida de Israel.”

Pela Jornada Lésbica e do movimento Ocupa Sapatão, Deise Menezes destacou a presença do movimento LGBT na luta por soberania. “Nós, lésbicas feministas, sapatão, movimento LGBT, estamos aqui junto com os trabalhadores e trabalhadoras, porque também somos trabalhadores e trabalhadoras. Estamos unidos na luta e vamos firmes para o ano que vem eleger Lula presidente do nosso Brasil. Sapatão também é revolução!”

Ocupações urbanas em defesa da soberania e da Palestina

Movimentos em defesa da moradia também presente ao ato – Foto: Jorge Leão

O Grito dos Excluídos e Excluídas também destacou a luta por direitos humanos como a moradia. O integrante do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) Raiê Roca anunciou que 18 ocupações foram realizadas em todo o país no 7 de setembro. Em Porto Alegre, a ocupação foi em um prédio abandonado na rua General Andrade Neves.

“Não existe independência sem direito à moradia digna. Todas as 18 ocupações levam o nome da Palestina, porque a nossa independência também tem a ver com o apoio à causa palestina. A ocupação recebeu o nome Palestina Livre – Marcela Vive, em homenagem a uma militante falecida recentemente”, explicou.

Secretário-geral da União das Associações de Moradores de Porto Alegre (Uampa) e vereador suplente, Brunno Mattos lembrou que a luta pela soberania passa pelas comunidades. “Para nós, das periferias, o enfrentamento à extrema direita começa nos territórios, porque é lá que o povo vive, é lá que o povo volta depois do trabalho. É nas associações de moradores, nos clubes de mães e nos projetos sociais que precisamos resistir. O Brasil não vai dar palco para golpistas. A classe trabalhadora precisa garantir seus direitos com organização e participação popular que não se negocia.”

Violência contra mulheres é denunciada durante manifestação

Durante o ato em Porto Alegre, a violência contra as mulheres foi destacada por Ísis Rodrigues Garcia, da Marcha Mundial de Mulheres. Ela denunciou casos extremos ocorridos na cidade e criticou o tratamento dado pela mídia e pelo sistema judiciário.

“Não podemos deixar de mencionar o caso escabroso de um homem que se achou autorizado a esquartejar uma mulher e colocar dentro de uma mala. Ele já tinha matado a própria mãe e estava em regime semiaberto. Mesmo assim, a mídia o tratou com dignidade, como empresário ou publicitário, e não como assassino. Isso é revoltante e repugnante”, afirmou.

Para Garcia, a impunidade reforça a cultura patriarcal e a violência contra as mulheres. “As mulheres ainda não podem confiar no sistema. Isso precisa ser assunto de toda a sociedade, não apenas nosso”, destacou.

Ela também relacionou a luta das mulheres à defesa da soberania e da democracia no país: “Estamos aqui porque isso também está ligado à soberania do país e à defesa da nossa democracia. Queremos prisão para todos os golpistas e terroristas que cometeram atos hediondos, sem anistia! Vamos avançar e recuperar nosso país, que é importante para o mundo inteiro.”

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