quarta-feira, junho 10, 2026
spot_img
InícioCULTURAPrograma Mulheres e Negócios Internacionais amplia liderança feminina nas exportações

Programa Mulheres e Negócios Internacionais amplia liderança feminina nas exportações

0:00

Mesmo com mais de 10 milhões de mulheres à frente de negócios no Brasil, segundo pesquisa realizada em 2022 pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a presença feminina no comércio exterior ainda é pequena. O Brasil fechou o ano de 2024 com um total de 28.847 empresas exportadoras no país. Porém, somente 14,5% dessas empresas têm liderança majoritariamente feminina, o que significa que apenas 4.170 delas têm mulheres à frente, segundo os dados mais atuais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Para tentar reduzir essa diferença, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) promove, desde 2023, o Programa Mulheres e Negócios Internacionais (MNI).

A iniciativa oferece capacitação, rodadas de negócios e ações de inteligência comercial para que empreendedoras brasileiras conquistem espaço no mercado global. 

“Quando mais mulheres participam desse processo, o círculo se torna ainda mais virtuoso, já que quanto maior a renda delas, maior o investimento em saúde e educação nas suas comunidades”, explica Ana Paula Repezza, diretora de Negócios da ApexBrasil. “A participação de mais lideranças femininas na exportação representa um vetor valioso de desenvolvimento nacional”, complementa a diretora.

O programa, segundo Repezza, busca aproximar empresas lideradas por mulheres das oportunidades comerciais no exterior. O foco, de acordo com a diretora, está nas micro e pequenas empresas, startups, empreendedoras rurais e cooperativas familiares de todos os setores de bens, serviços e agricultura do país, com atenção especial às regiões Norte e Nordeste.

Quando a liderança inspira transformação: o caminho até a criação do MNI

Ao assumir a diretoria da agência, em janeiro de 2023, Repezza percebeu que teria, segundo ela, o privilégio de trabalhar com oito mulheres dentre as dez vagas de gerente da sua área. A vontade de dar continuidade a esse cenário a motivou a liderar mudanças internas na própria Apex. “Entendi que esse ciclo precisava ser institucionalizado; que era nosso dever extrapolar nossas conquistas individuais para estruturar um plano que oferecesse oportunidades a mais mulheres”, conta Repezza.

Foi assim que surgiu o Compromisso de Equidade de Gênero da agência, que levou à criação do Programa Mulheres e Negócios Internacionais. O objetivo inicial era aumentar em 600 o número de empresas lideradas por mulheres atendidas pela Apex. Em seis meses, a meta foi superada, com 697 novos negócios incluídos. Em 2023, 2.883 empresas com liderança feminina foram atendidas. Um crescimento de 33,4% em relação ao ano anterior, que contou com 2.161 empresas com mulheres à frente da gestão. 

A agência também passou a adotar mecanismos inclusivos em todas as ações que promove, como pontuação extra para empresas lideradas por mulheres em seleções para feiras e capacitações e ações específicas.

Iniciativas do programa conectam empreendedoras ao mercado global 

Além das barreiras estruturais, como o acesso desigual a crédito, à informação e à capacitação, a Apex identifica desafios subjetivos. 

“Muitas empresárias enfrentam barreiras socioemocionais na hora de negociar com interlocutores internacionais”, diz Repezza. Por isso, o programa também busca formar redes de apoio entre as mulheres e fomentar a autoconfiança no ambiente empresarial internacional, de acordo com a diretora.

Algumas das ações focam no início da trajetória exportadora. É o caso do programa de mentoria “Elas Exportam”, feito com o MDIC, e do “Mulheres Globais”, voltado para e-commerce e realizado em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Mulheres no Mundo, do Banco do Brasil, que tem apoio da agência. Também em 2023, houve uma rodada internacional de negócios exclusiva para mulheres iniciantes organizada com a Rede Mulher Empreendedora (RME).

Além dessas atividades, o MNI também oferece o curso a distância “Mulheres de Negócios: Além das Fronteiras”, uma iniciativa gratuita e acessível a empresas de qualquer região do país. Os conteúdos tratam de temas como inteligência de mercado, certificações, comércio digital e atração de investimentos estrangeiros, todos voltados para preparar as empresárias para atuarem no mercado internacional.

As iniciativas do programa ajudaram a impulsionar negócios de diferentes setores. É o caso da Aleccra Beachwear, fundada pela empresária Sara Luvison. Ao podcast Histórias Exportadoras, da Apex, ela relata que vender para o exterior ajudou sua marca a manter o equilíbrio financeiro. 

“Conseguimos virar referência no produto, mas me deparei com um problema: a temporalidade. Podendo vender beachwear durante o Inverno [do Brasil] nos países do Norte, como os Estados Unidos, eu consigo manter esse equilíbrio na minha empresa”, comemora a empresária Luvison.

Head de exportações do Café Caiçara, Renata Pignatta conta, também ao podcast, que decidiu buscar a internacionalização da empresa familiar criada em 1950 depois de atualizar o portfólio da marca. De acordo com Pignatta, a Apex a tirou “do escuro sobre o assunto de exportação, trazendo o conhecimento e o know-how de como as empresas podem fazer para alcançar as vendas no exterior”, diz. “Não um bicho de sete cabeças como todo mundo pensa”, conclui.

A designer Larissa Moraes começou a desenhar joias durante a pandemia. Depois de ser premiada internacionalmente, buscou apoio para estruturar um plano de exportação para a Larissa Moraes Jewelry. “Me pegaram pela mão. Fizemos todo o processo juntos, descobrimos gargalos da joalheria. Foi uma coisa maravilhosa. Eu tenho muita gratidão pela Apex por causa disso”, afirma Moraes ao Histórias Exportadoras.

“Atingir a paridade nos negócios internacionais exige esforços em diferentes frentes”, avalia Repezza. 

Lançado em junho de 2023, o MNI completou dois anos com 138 ações realizadas, sendo 17 específicas para empresas lideradas por mulheres e outras 121 ações com critérios de seleção que garantiram uma maior participação feminina. Neste período, foram realizados mais de 4.000 atendimentos e 2.132 empresas diretamente impactadas pelo Programa, sendo 60,2% delas de micro e pequeno porte. Atualmente, o programa conta com mais de 80 instituições parceiras.  

Reconhecimento internacional e impacto duradouro


A meta da agência é que o programa seja um instrumento de transição até que a equidade de gênero esteja plenamente estabelecida. 

“O MNI busca que as mulheres conquistem a equidade de inserção nas cadeias globais de valor. Quando atingirmos a paridade, o programa perderá seu propósito, e esperamos que isso ocorra o quanto antes”, afirma a diretora.

Enquanto isso não acontece, o programa continua crescendo. Com base no novo plano estratégico da agência, que abrange o período entre 2024 e 2027, o MNI vai direcionar suas ações para mercados prioritários como os países do Brics, outros países da América Latina, além de Ásia e África.

E o esforço da agência tem sido reconhecido internacionalmente. Em março de 2024, o programa recebeu o prêmio de Boas Práticas do Movimento Elas Lideram 2030, da Rede Brasil do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU). Em setembro do mesmo ano, veio mais um reconhecimento: o WTPO Awards – Excellence in Export Initiatives, concedido pela Organização Mundial de Promoção do Comércio, na categoria “Melhor iniciativa que garante a inclusão e sustentabilidade de um negócio”.

Como participar

Empresárias interessadas podem se inscrever para receber informações sobre cursos, rodadas de negócios e demais ações do programa pelo site da ApexBrasil.

[Conteúdo patrocinado pela ApexBrasil.]

Fonte Original

Conceição do Mato Dentro reforça debate sobre diversificação econômica com segundo fórum em seis meses

Quando uma cidade realiza dois fóruns sobre diversificação econômica com apenas seis meses de intervalo entre eles, o recado é claro: o futuro não...

Construir a nova Ásia de nossos sonhos

O crescimento econômico por si só não garante a soberania genuína na Ásia; uma plataforma regional de coordenação continua sendo uma necessidade material vital...
ARTIGOS RELACIONADOS
Anúncio
Google search engine

MAIS POPULAR