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Corpo e Galpão relembram histórias em encontro no Festival de Inverno de Ouro Preto

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Na noite desta terça-feira (22), a Casa da Ópera, em Ouro Preto, recebeu dois grandes nomes da dança e do teatro brasileiro: Lydia Del Picchia, atriz do Grupo Galpão, e Fernando Castro, diretor da Corpo Escola de Dança. Os artistas participaram do programa Prosear, parte da programação do Festival de Inverno, e compartilharam memórias marcantes de suas trajetórias, em um encontro mediado pelo escritor e jornalista Victor Stutz.

Fernando Castro narrou como a experiência com a capoeira levou à fundação do Grupo Corpo, uma das companhias de dança mais reconhecidas do país. “A gente era capoeirista, fazia capoeira no Colégio Arnaldo, em Belo Horizonte, e descobriu que havia uma escola de dança oferecendo bolsas para homens. Fomos ver como era esse negócio de dança… e eu apaixonei com esse negócio. A partir daí formamos o grupo”, contou.

Ele também lembrou o papel formador do grupo Transforma, da coreógrafa Marilene Martins. “Ela foi uma precursora da dança moderna em Belo Horizonte. A gente entrou para o grupo Transforma, participou de várias produções, e a Lidinha também fazia parte.”

Lydia Del Picchia trouxe lembranças da rotina intensa dos primeiros anos do Galpão, quando o grupo viajava de cidade em cidade levando tudo — cenário, figurino e equipamentos — dentro de uma única veraneio. “Atores, técnicos, tudo no mesmo carro. Eles montavam, faziam a luz, a chamada… ainda tem o carro, mas virou um símbolo, não anda mais.”

A atriz também recordou um episódio trágico que marcou a história do grupo: o acidente que vitimou a atriz Wanda Fernandes em 1994. “Foi em Ouro Preto, mais uma vez. O Galpão recebeu a Medalha da Inconfidência. Na volta, de carro, teve um acidente e a Wanda não resistiu. Eu entrei no grupo logo depois, na remontagem de Romeu e Julieta. Foi uma época complexa, são momentos difíceis”, relatou.

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Realizado pela Prefeitura de Ouro Preto, com produção da Mundaréu e do Instituto Rococó, o Prosear na Casa da Ópera tem apoio da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), da Fundação de Artes e Ofícios de Ouro Preto (FAOP) e da Pousada dos Ofícios. O programa foi criado em 2005 para aproximar os moradores da cidade das produções culturais feitas em Ouro Preto ou inspiradas pelo munícipio, como os grupos Corpo e Galpão.

A edição deste ano reforça o tema do festival: “Entre Minas e Memória, Ouro Preto vive: uma celebração da cultura popular”, resgatando histórias que moldaram a trajetória de dois dos maiores grupos artísticos do país — e que têm em Ouro Preto capítulos marcantes de suas caminhadas.

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