quarta-feira, junho 10, 2026
spot_img
InícioCULTURAEm protesto no Recife (PE), jornalistas denunciam atrasos de salários, INSS e...

Em protesto no Recife (PE), jornalistas denunciam atrasos de salários, INSS e FGTS – Brasil de Fato

0:00

Na tarde desta quarta-feira (9), um grupo de jornalistas realizou protesto na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) pedindo uma solução para a situação trabalhista na empresa de comunicação Diario de Pernambuco. Funcionários e ex-funcionários alegam sofrer há nove anos com seguidos atrasos salariais, falta de pagamento de verbas rescisórias e de depósito do FGTS, não recolhimento do INSS, pejotização e jornadas de trabalho exaustivas.

Entre funcionários e ex-funcionários, mais de 400 jornalistas e suas famílias sofrem com débitos em aberto, segundo levantamento do Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco (Sinjope). Estes casos renderam contra o Diario mais de 300 processos – hoje em fase de execução no Tribunal Regional do Trabalho (TRT-6). Os valores a serem pagos, segundo o Sinjope, variam entre R$ 4 mil e R$ 1 milhão, somando mais de R$ 32 milhões em dívidas com os trabalhadores.

Novos processos continuam surgindo. Um deles é encabeçado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), que ajuizou uma ação contra o jornal cobrando dívidas que a instituição possui com trabalhadores ativos e demitidos. Em outubro de 2022, há dois anos e meio, a 10ª Vara do Trabalho do Recife ordenou que as dívidas fossem quitadas, mas nada aconteceu. A ordem se repetiu em outubro de 2024. Os jornalistas lembram que o Diario tem milhões de reais em imóveis cuja venda não afetaria o funcionamento do jornal.

A manifestação dos jornalistas na Alepe foi endossada por alguns deputados, como João Paulo (PT). “Existem funcionários na ativa com até dois anos e meio de salários atrasados, recebendo pagamentos parcelados e irregulares. Trabalhadores que dedicaram parte significativa das suas vidas a uma instituição tão importante como o Diario de Pernambuco”, discursou o ex-prefeito do Recife.

O petista classificou a situação como “inadmissível”. “Precisamos agir de maneira firme para assegurar os direitos desses profissionais, proteger a dignidade do trabalho jornalístico e para preservar a história bicentenária de um veículo tão significativo para o estado e para o Brasil”, discursou João Paulo. Em novembro, o Diario de Pernambuco, jornal mais antigo em circulação na América Latina, completará 200 anos. “Pois deve honrar a sua história honrando os direitos dos jornalistas”, sugeriu o deputado.

Outros parlamentares também se solidarizaram com a categoria, que tinha dezenas de representantes nas galerias da Alepe. “Ao parabenizar os 200 anos do jornal mais antigo de Pernambuco, ressaltemos também a importância dessas pessoas que, com suas mãos e ideias, constroem cotidianamente esse veículo”, aparteou Dani Portela (Psol). “Se a gente tem democracia hoje, devemos também à coragem e força dos jornalistas”, afirmou Doriel Barros (PT).

Já Gilmar Júnior (PV) pediu celeridade ao Judiciário e iniciativa aos empresários responsáveis pelo Diario. “A decisão já está tomada lá na Justiça e a gente não vê avançar. Isso é um descaso com o trabalhador. A instituição tem patrimônio para vender, então que venda e pague o que está devendo”, cobrou.

Leia também: Trabalhadores gráficos sofrem ameaça de seus direitos

“Nosso papel é não se acovardar”, diz presidente do Sindicato de Jornalistas sobre agressões

Jailson da Paz, presidente do Sinjope, resume a situação como “um verdadeiro pesadelo”. “Enquanto isso, o jornal continua funcionando com vários PJs”, completa ele, que foi funcionário do Diario. “Nós sempre estamos nos bastidores da notícia, mas agora a gente quer que a sociedade saiba que os jornalistas do Diario de Pernambuco, que construíram e botaram o jornal na rua todos os dias, estão sem receber seus salários, rescisões e indenizações”, diz Cláudia Elói, ex-funcionária do jornal.

Nove anos de sucateamento

Segundo os jornalistas, os atrasos começaram em novembro de 2016, meses após o Grupo R2, dos irmãos Alexandre e Maurício Rands, adquirirem a empresa. O jornal também teria parado de honrar com os depósitos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e os recolhimentos para o Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS). As demissões vieram em seguida e, ao reclamarem suas verbas rescisórias, teriam ouvido como resposta: “coloquem na Justiça”.

Após três anos, os Rands venderam o Diario de Pernambuco para o advogado Carlos Frederico Vital, mas os trabalhadores dizem que a situação não melhorou. A principal mudança, segundo relatos, foi a demissão dos trabalhadores de carteira assinada (CLT), substituídos por trabalhadores contratados como pessoa jurídica (PJ). “E eles são obrigados a trabalhar presencialmente todos os dias, com plantões aos fins de semana e feriados – tudo isso sem direito a férias, 13º ou qualquer benefício”, conta Jailson da Paz, presidente do Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco (Sinjope).

Segundo o sindicato, na atual gestão alguns jornalistas fizeram acordos temporários de redução de seus salários e gratificações para que o jornal ao menos efetuasse o pagamento em dia, o que não aconteceu. As denúncias alegam ainda que os remanescentes com contratos no formato CLT já contabilizam um ano e meio de salários atrasados, além de INSS e FGTS. O Sindicato dos Jornalistas tem recebido relatos de falências pessoais, endividamento, dificuldades para suprir necessidades básicas, além de problemas de saúde mental e física.

Patrimônio

Os trabalhadores mencionam como alternativas viáveis para quitar as dívidas as vendas do parque gráfico desativado do Diario na avenida Cruz Cabugá, região central do Recife; e o clube que o jornal possui na Estrada do Arraial, bairro do Parnamirim, um dos metros quadrados mais valorizados do Recife. Estes imóveis não têm qualquer funcionalidade para a operação do jornal. Desde novembro de 2024, após dois pedidos por um plano especial de pagamento, o TRT-6 transferiu a execução dos processos para o setor de pesquisa patrimonial do tribunal.

O Diario de Pernambuco possui, além do jornal impresso, as rádios Clube AM e FM. A empresa pertence aos grupos Diario de Pernambuco (detentor de 78%) e Diários Associados (22%). Os Associados também são detentores do Correio Braziliense, do Estado de Minas e outros jornais impressos, além de sites e emissoras de TV e rádios. Em 2008 o seu faturamento era superior aos R$ 500 milhões ao ano. Já o dono do Grupo Diario de Pernambuco é o advogado cível Carlos Frederico Vital.

O Brasil de Fato entrou em contato com o Diario de Pernambuco e com o Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT-6), buscando posicionamentos sobre as questões relatadas nesta matéria. Até o momento, nenhuma das instituições nos respondeu. Tão logo o façam, acrescentaremos ao texto.

Roberta Mariz / TRT-6 / divulgação

Google search engine

Fonte Original

Conceição do Mato Dentro reforça debate sobre diversificação econômica com segundo fórum em seis meses

Quando uma cidade realiza dois fóruns sobre diversificação econômica com apenas seis meses de intervalo entre eles, o recado é claro: o futuro não...

Construir a nova Ásia de nossos sonhos

O crescimento econômico por si só não garante a soberania genuína na Ásia; uma plataforma regional de coordenação continua sendo uma necessidade material vital...
ARTIGOS RELACIONADOS
Anúncio
Google search engine

MAIS POPULAR