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Os frutos  – Portal Agora

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Mais de 1700 doses da vacina contra a dengue estão atrasadas para as pessoas que se vacinaram até o dia 12 de novembro de 2024, em Divinópolis. Na semana em que um adolescente de 14 anos, não vacinado, morreu na Unidade de Pronto Atendimento Padre Roberto (UPA 24h), com suspeita da forma grave da doença, este dado preocupa. No ano em que a cidade já está classificada no “alto risco para epidemia de dengue”, esta informação é alarmante. A dengue, como todos sabem, é um dos maiores dilemas do Brasil. Afinal de contas, por aqui não existe campanha de conscientização, não existem mortes, dados, fatos, e sequelas suficientes que façam o povo cumprir com a sua responsabilidade que é simples: eliminar os focos com água parada, e manter seus quintais limpos. A situação é preocupante, e consegue revelar algo maior nos detalhes. A limitação intelectual dos brasileiros. Entra ano, sai ano, e todos estão “carecas de saber” qual o período de maior incidência dos casos. Se por um lado o poder público falha em não se precaver, e providenciar uma estrutura adequada na saúde para absorver a demanda, por outro a população falha muito mais, ao não conseguir sequer evitar este problema, que pode ser minimizado consideravelmente com o simples ato de eliminar os recipientes que possam acumular água parada. 

Paralelo a isso, claro, agora tem também a vacinação. Em um novo estudo o Butantan mostrou que a eficácia da vacina contra dengue grave ou com sinais de alerta foi de 89%. Já a eficácia geral contra a dengue sintomática foi de 67,3%, sendo 75,8% para o sorotipo DENV-1 e 59,7% para DENV-2. Mas, além de não conseguir sequer cuidar do próprio quintal, agora os brasileiros decidiram não acreditar na eficácia da vacinação. Para um bom entendedor este movimento é claro. É apenas o fruto das fake news disseminado dia após dia, criando contextos e cenários que amedrontam e afastam o povo da realidade. As sementes foram plantadas e agora os frutos vieram. A verdade é que não dá para esperar muito de uma população que sequer consegue fazer um ato simples que é limpar suas casas. E, no fim de tudo, todos os dados preocupam. Do atraso na vacinação, da classificação da cidade no alto risco de uma epidemia de dengue, mas o que é mais alarmante são as mortes que tudo isso vai ocasionar. O que é mais grave é imaginar os frutos que todo este contexto trará para o Brasil daqui no máximo dois meses, quando os boletins diários começarem a ser trazer as mortes  confirmadas causados por algo que poderia ter sido totalmente evitável caso a população não fosse tão limitada intelectualmente. 

Mesmo tendo os meios necessários para evitar um completo caos na saúde e na sociedade, o povo segue transferindo sua responsabilidade para os governos, e se vitimizando. Porém, o que muitos ainda não perceberam é que não tem para onde correr. As sementes são plantadas, e os frutos, sem sombra de dúvidas vem, e muitas vezes na forma mais amarga. Isso tudo passa da Terceira Lei de Newton: ação e reação. Não tem como plantar tomates e colher maçãs. Quem planta irresponsabilidade, colhe tragédias.

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