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Cáries em adolescentes podem indicar doenças crônicas no futuro, diz estudo – Brasil de Fato

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Um estudo realizado por um grupo de pesquisadoras brasileiras apontou relação entre a presença de cáries em adolescentes e um maior risco de hábitos que são fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como problemas cardiovasculares, diabetes e asma.

De acordo com as conclusões da pesquisa, jovens que apresentaram a doença bucal também demonstraram tendência a padrões alimentares não saudáveis, tabagismo e risco de dependência alcoólica.

O levantamento observou que a dieta rica em açúcares, alimentos processados e fast foods não apenas contribui diretamente para o surgimento de cáries, mas também está associada a outros hábitos prejudiciais à saúde.

Além disso, as pesquisadoras apontaram uma conexão entre comportamentos como fumar e o consumo de álcool com o aumento da infecção bucal por meio do acúmulo de placa bacteriana.

O estudo também menciona que a perda de dentes tem sido associada a um risco aumentado de certos tipos de câncer. Essa relação é observada pela ciência há anos, com evidências de que problemas na saúde bucal têm potencial ligação com o aparecimento de tumores na boca, no estômago, no pulmão e no pâncreas, por exemplo.

“A cárie é a doença não transmissível mais disseminada globalmente e pode prever DCNTs fatais no futuro”, alerta a pesquisa conduzida pesquisadoras da Universidade Federal do Maranhão e da Universidade Federal do Amazonas e publicada nesta quinta-feira (24) na revista científica internacional Caries Research.

Fatores socioeconômicos

A análise observou mais de 2,5 mil adolescentes no estado do Maranhão, com idades entre 18 e 19 anos e que tiveram acompanhamento desde o nascimento. Fatores como escolaridade dos jovens e familiares e renda familiar mensal também tiveram peso nos resultados.

Por meio de modelos estatísticos, as pesquisadoras notaram que situações menos precárias indicaram padrão alimentar mais saudável e efeito de diminuição no número de dentes cariados.

A pesquisa ressalta que as desigualdades, reconhecidamente, aumentam os fatores de risco comportamentais para doenças crônicas não transmissíveis e para a prevalência de cáries.

“Estudos mostram que em países de baixa e média renda, há maior índice de tabagismo na população, que também consome mais álcool e tem dietas menos saudáveis. Além disso, também há evidências de que em desvantagens sociais, mais biofilme [placa bacteriana] e dentes cariados se acumulam, devido à pior higiene como consequência da falta de acesso à informação e tratamento”, ressalta o texto.

A conclusão é de que o compartilhamento de fatores de risco com outras enfermidades graves, mostra a necessidade de que a saúde bucal não seja tratada de forma isolada e que seja considerada na promoção de ações abrangentes de saúde para adolescentes.

“Tais estratégias integradas devem melhorar as condições socioeconômicas, promover estilos de vida mais saudáveis e práticas alimentares saudáveis, e melhorar a higiene bucal. Abordar esses fatores inter-relacionados pode reduzir significativamente a cárie dentária e proteger os adolescentes de outras DCNTs no futuro.”

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