Voltamos nessa semana com um poeta nacional de qualidade: MANUEL BANDEIRA (1886/1968). Em 19 de abril de 2025 fez 139 anos do nascimento do poeta.
Manuel Bandeira foi um dos pioneiros do movimento modernista de 1922, quando foi lido o seu poema “OS SAPOS”, que desancava com o parnasianismo, buscando a outra lírica moderna. O verso do poema – “Não foi” – “Foi” – “Não Foi” era uma crítica ácida aos poetas parnasianos do século XIX, já no seu segundo livro, o “carnaval” (1919).
Poeta brasileiro reconhecidamente moderno, desenvolveu uma poética social, mas também intimista, voltada para a simplicidade da vida brasileira, para o colorido de nosso povo! Marcado para morrer desde cedo, foi deliberadamente um poeta livre, irreverente e com um discurso revolucionário, tanto na forma, quanto nas imagens, nas metáforas e na estrutura de seus poemas! Vejamos alguns poemas que mostram a sua poética da simplicidade e pela modernização da poesia brasileira.
Vamos iniciar nossa viagem pelo livro LIBERTINAGEM, com o poema “POÉTICA”, um grito em defesa da poesia modernista!
POÉTICA (fragmento)
Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor.
Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico…
O tom social na poesia de Bandeira aparece em vários poemas. Posso destacar alguns: MENINOS CARVOEIROS, MANGUE, ANDORINHA. Mas o mais famoso poema de crítica social do poeta, sem dúvida, foi O BICHO, que leremos a seguir.
O BICHO
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
E a poética mais intimista aparece também em Manuel Bandeira. Vamos ler o conhecido poema, que traduz a sua poética lírica.
O ÚLTIMO POEMA
Assim eu quereria o meu último poema.
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
ATENÇÃO!
Você gosta de escrever poesia, ama poesia, mas não tem espaço para mostrar seus textos! Esta coluna, vai quinzenalmente,abrir espaço para os poemas seus, no objetivo de mostrar a poesia divinopolitana. Se quiser participar com os seus poemas, é só enviar para o e-mail ou zap abaixos, os poemas com no máximo 03 ou 04 estrofes, para aqui publicarmos. Anote aí: guadalupe.poesia@yahoo.com.br ou o zap: 37 99807 5040.
Cláudio Guadalupe
Poeta integrante da ADL e do ARTEFERIA



