Ao menos 22 pessoas morreram, na maioria mulheres e crianças, após uma série de bombardeios da aviação saudita atingir a região de Al Shariyah, na província de Sana, neste sábado (7). O ataque em área residencial também deixou 30 feridos.
De acordo com relatos publicados pela AFP, seis casas foram destruídas durante a ação militar na localidade de Al Shariyah, no distrito de Bani Hashish.
A agência Saba denunciou que caças sauditas efetuaram dois novos disparos direcionados contra as equipes de resgate que trabalhavam na remoção dos escombros para socorrer os soterrados. Entre os feridos está um cinegrafista da rede Al-Masirah.
Em nota publicada pela rede Al Jazeera, a coalização militar liderada pela Arábia Saudita não comentou diretamente os bombardeios em Sana, mas disse ter interceptado e destruído um míssil de cruzeiro disparado pelos houthis em direção à província de Riade e alertas de perigo na região de Najran.
Conhecido oficialmente como Ansar Allah (“Defensores de Deus”), o movimento houthi é uma organização político-militar xiita de matriz zaydi constituída na década de 1990 na região norte do Iêmen. O grupo emergiu como força de oposição ao alinhamento do governo iemenita com os Estados Unidos e a Arábia Saudita, denunciando a marginalização econômica e a ingerência estrangeira no território nacional.
Desde 2014, quando tomou a capital Sana e assumiu o controle da maior parte do norte e do oeste iemenita, o movimento atua como governo de fato nessas regiões. A organização sustenta uma postura de resistência frente à intervenção da coalizão militar saudita e mantém posicionamento alinhado à defesa da soberania do país e do povo palestino.
Escalada do conflito
A nova onda de ataques ocorre em sequência ao bombardeio registrado na última sexta-feira (6) contra um mercado popular na província de Taiz, no oeste do país, que deixou trinta mortos e dezenas de feridos em meio a acusações mútuas entre as forças governamentais e os insurgentes.
O recrudescimento dos confrontos entre as forças apoiadas por Riade e o movimento houthi intensificou-se a partir de julho e agosto, quebrando um período de quatro anos de trégua relativa.
Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), os combates e os frequentes ataques aéreos já deixaram mais de 1,6 mil mortos e provocaram o deslocamento forçado de mais de 300 mil pessoas, agravando a crise humanitária e o cerco a cidades estratégicas do Iêmen.


