A deputada paraguaia Rocío Vallejo, do partido Pátria Querida, anunciou que apresentará, nesta segunda-feira (9), junto a outros parlamentares, uma denúncia ao Ministério Público para investigar saques de recursos do Ueno Bank antes da suspensão das atividades da instituição pelo Banco Central do Paraguai. A suspeita é que as retiradas se valeram de informações privilegiadas.
Vallejo anunciou a ação em suas redes sociais. “Começo a redigir a denúncia que apresentaremos amanhã, junto com os colegas, sobre as retiradas privilegiadas do Ueno Bank”, escreveu Vallejo em uma publicação no Instagram.
O objetivo da ação é permitir que os promotores identifiquem quem realizou os saques e rastreiem as movimentações financeiras. A suspeita é de que integrantes da cúpula do governo e da direção do banco tenham vazado informações sobre a situação da instituição para familiares, amigos e parceiros comerciais, que teriam retirado seus recursos antes da suspensão das operações.
Segundo Vallejo, a possível fuga coordenada de capitais nas horas que antecederam a decisão do Banco Central constitui um crime grave previsto no Código Penal paraguaio.
A liquidação do banco digital Ueno foi decretada pelo Banco Central do Paraguai (BCP) devido à falta de solvência e a empréstimos irregulares concedidos a empresas vinculadas à instituição. O encerramento das atividades do banco deixou três milhões de clientes sem acesso aos seus depósitos, afetando cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos e fundos previdenciários.
Movimentos querem aprofundar investigações
O caso do Ueno Bank provocou uma crise política no Paraguai e levou à queda do então presidente Santiago Peña, destituído por impeachment na sexta-feira (6). No sábado (7), ele teve a prisão preventiva decretada e passou a ser investigado por suspeitas de administração em proveito próprio, já que era um dos acionistas do banco.
Diante do cenário de crise generalizada e incertezas acerca de todos os envolvidos no caso, diversos movimentos populares do país pedem também o impeachment de Pedro Alliana, vice-presidente que assumiu a presidência do país após a prisão de Peña.
É o que afirma Cony Oviedo, militante da Coordenação Nacional de Organização de Mulheres Trabalhadoras, Rurais e Indígenas (Conamuri). “O clamor popular é que nem Pedro Alliana, nem Basilio Núñez [presidente do Congresso] e nem Horacio Cartes [ex-presidente] devem continuar, porque entendemos que toda a problemática que vem ocorrendo no país é resultado de sucessivos governos colorados e, hoje, de colorados cartistas [ala do Partido Colorado dirigida por Cartes].”
Oviedo ressalta que há diversas iniciativas do campo progressista para ampliar as investigações. “Seja Rocío Vallejo ou outro representante que esteja no Parlamento, é claro que será apoiada, porque o impeachment de Peña, que hoje está condenado e é ex-presidente do país, não nos representa, não garante nada. Ele continua preso com um monte de privilégios. O pedido de Rocío Vallejo certamente será apoiado, assim como o de Esperanza Martínez, que apresentará um projeto para que a Lei de Portas Giratórias seja revisada novamente, uma lei alterada durante o governo de Peña, sendo justamente o que possibilitou e garantiu todo esse desfalque”, explica.
A Lei de Conflito de Interesses no Paraguai, conhecida como Lei de Portas Giratórias, que regula o trânsito de autoridades entre cargos públicos e o setor privado, foi alterada em 2023.
Além disso, as mobilizações populares pedem o ressarcimento de todo o dinheiro confiscado, além dos valores relacionados à aposentadoria, e a recomposição do caixa fiscal, que também ficou comprometido após as denúncias, além dos recursos públicos de empresas como Itaipu, que tinha cerca de R$ 1 bilhão no Ueno Bank e está tentando recuperar os valores na justiça.
Na última sexta (6), o novo presidente do Paraguai, Pedro Alliana, afirmou que já foram realizados pagamentos referentes a 1,1 milhão de contas, totalizando mais de 996 bilhões de guaranis. O presidente também garantiu o pagamento dos benefícios e gratificações de fim de ano aos aposentados.


