terça-feira, outubro 27, 2026
spot_img
InícioCULTURADo chão de fábrica para a história do Brasil, Lula completa 81...

Do chão de fábrica para a história do Brasil, Lula completa 81 anos e promete mudar jeito de governar

0:00

No dia 27 de outubro de 2002, Luiz Inácio Lula da Silva celebrava, ao mesmo tempo, seu aniversário de 57 anos e a vitória nas urnas que o tornava o primeiro presidente de origem operária da história do Brasil.

Nesta terça-feira (27), mais de duas décadas depois, o presidente novamente comemora seu aniversário em um contexto histórico. O ex-metalúrgico nascido em Garanhuns (Pernambuco) acaba de se tornar o primeiro presidente a vencer quatro eleições, com a votação recorde de mais de 64 milhões de votos.

Não foi uma eleição qualquer. É a primeira vez que um candidato vence o segundo turno após chegar atrás do adversário no primeiro, graças a uma mobilização popular inédita nas ruas e nas redes.

Para virar o jogo, a campanha de Lula, capitaneada pelo deputado André Janones (Rede/MG), disputou o domínio bolsonarista nas redes sociais, retomou símbolos pátrios como a bandeira e as cores verde e amarelo, além de promover ações coordenadas com mais de 10 milhões de apoiadores reunidos em um canal do WhatsApp intitulado ‘Exército do Lula’.

Após a vitória, o líder, que acumula 57 anos de vida pública, reconheceu ter aprendido muito neste pleito. “Eu posso garantir que nós vamos mudar o jeito de governar esse país”, disse, no primeiro discurso como presidente reeleito. “Nós vamos fazer o povo participar mais das nossas decisões.”

Indignado com o que chamou de “intromissão” das plataformas digitais na democracia brasileira, Lula prometeu regular as big techs no Brasil, dar prioridade para a comunicação digital em seu quarto governo e desenvolver inteligência artificial brasileira.

Para fazer contato direto com seu povo, o octogenário ganhou um celular e disse que vai utilizá-lo diariamente: “Não vou mais permitir que seja interpretado por jornalistas com má-fé”.

Na reta final de seu terceiro governo e agora, às vésperas do quarto e último mandato de sua vida, Lula se reaproximou de pautas que impactam diretamente a vida da classe trabalhadora. O mandatário obteve a aprovação do fim da escala 6×1, proibiu as bets (jogos de aposta online), anunciou um novo Desenrola para combater o endividamento, novas regras para microempreendedores, e enviou ao Congresso um projeto que institui passe-livre no transporte coletivo aos domingos.

Lula e o deputado André Janones durante live de mobilização da campanha | Crédito: Reprodução/YouTube

Para o futuro, fala em ampliar o Pé-de-Meia para o ensino superior. Sua campanha também apresentou uma proposta de plataforma pública para oferecer uma alternativa aos serviços de Uber e iFood, com taxas menores para os trabalhadores.

Lula quer que seu último mandato fique marcado como “o melhor da história” e prometeu dedicar 24 horas por dia para fazer este o país que todo mundo sonha. Apesar dos recordes pessoais acumulados, o presidente mantém o discurso focado na classe trabalhadora e reafirma sua origem humilde e operária para explicar suas prioridades.

É neste contexto que o Brasil de Fato relembra a trajetória do aniversariante do dia, um dos principais líderes populares da história.

Do Agreste pernambucano ao ABC Paulista

Lula nasceu em 27 de outubro de 1945, em Caetés, então distrito de Garanhuns, no Agreste de Pernambuco. Era o sétimo dos oito filhos de Eurídice Ferreira de Melo, a Dona Lindu, e Aristides Inácio da Silva, trabalhadores rurais que enfrentavam a pobreza no interior nordestino.

Aos 7 anos, acompanhou a mãe e os irmãos numa viagem de 13 dias em caminhão pau de arara até o litoral paulista, onde o pai havia se estabelecido. A família passou por Santos e Guarujá antes de se mudar para a capital, em 1956.

O trabalho entrou cedo na vida do futuro presidente. Ainda criança, vendeu produtos nas ruas, engraxou sapatos e ajudou no sustento familiar. Aos 12 anos, conseguiu emprego numa tinturaria, onde auxiliava no serviço e entregava roupas. Em 1959, teve a primeira carteira de trabalho assinada, nos Armazéns Gerais Columbia.

No ano seguinte, ingressou na Fábrica de Parafusos Marte, na capital paulista. Estudou no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e tornou-se torneiro mecânico. Em 1964, perdeu o dedo mínimo da mão esquerda num acidente de trabalho com uma prensa, na Metalúrgica Independência.

Depois de enfrentar um período de desemprego, conseguiu colocação nas Indústrias Villares, em São Bernardo do Campo. Foi no ambiente das fábricas do ABC Paulista que começou a se aproximar do movimento sindical, incentivado pelo irmão Frei Chico, militante comunista que seria preso e torturado pela ditadura.

Lula tornou-se presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema em 1975. Nos anos seguintes, liderou paralisações que mobilizaram dezenas de milhares de trabalhadores por melhores salários, condições de trabalho e liberdade de organização.

As greves de 1978, 1979 e 1980 desafiaram a política de arrocho salarial da ditadura militar e contribuíram para a reorganização do movimento sindical brasileiro. Quase cinco décadas depois, Lula escolheu o mesmo estádio para lançar sua campanha à reeleição, em 16 de agosto de 2026. “Foi aqui que eu tive a mais importante lição de sociologia política que um homem tem: a greve de 1979”, disse diante de milhares de apoiadores.

Em abril de 1980, Lula foi preso pela ditadura e permaneceu 31 dias no Departamento de Ordem Política e Social (Dops), em São Paulo. Durante a prisão, perdeu a mãe, Dona Lindu.

Naquele mesmo ano, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), formado a partir da articulação entre sindicalistas, movimentos populares, intelectuais e militantes de esquerda. Também esteve envolvido na criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em 1983, e nas mobilizações pelas eleições diretas para presidente, em 1985.

Eleito deputado federal por São Paulo em 1986, integrou a Assembleia Nacional Constituinte responsável pela elaboração da Constituição de 1988.

Lula, em discurso para milhares de trabalhadores, no ABC paulista | Crédito: Josias Gomes/Acervo PT

Três derrotas antes da primeira vitória

A primeira disputa presidencial de Lula aconteceu em 1989, na eleição direta que marcou a retomada do voto popular para presidente depois de 29 anos. Chegou ao segundo turno, mas perdeu para Fernando Collor de Mello.

Voltaria a ser derrotado em 1994 e 1998, nas duas eleições vencidas por Fernando Henrique Cardoso. Entre as campanhas, percorreu diferentes regiões do país com as Caravanas da Cidadania e participou da elaboração de propostas por meio do Instituto Cidadania.

A vitória veio em 27 de outubro de 2002, justamente no dia de seu aniversário de 57 anos. Depois de três derrotas consecutivas, o antigo torneiro mecânico tornou-se o primeiro presidente brasileiro de origem operária.

O primeiro mandato começou com o enfrentamento da fome entre as prioridades anunciadas pelo governo. A criação do Bolsa Família, a valorização do salário mínimo e a expansão de políticas de acesso à educação e ao crédito marcaram os oito anos em que Lula esteve à frente da Presidência, entre 2003 e 2010.

Nesse período, foram implementados programas como o ProUni, o Luz para Todos e, posteriormente, o Minha Casa, Minha Vida. O governo também promoveu a expansão das universidades federais e da rede de educação profissional.

Os avanços sociais conviveram com crises políticas, entre elas o chamado “mensalão”, que atingiu a direção do PT e integrantes do governo em 2005. Apesar do desgaste, Lula foi reeleito em 2006 e encerrou o segundo mandato em 2010 com aprovação de 83%, quando Dilma Rousseff (PT) foi escolhida para sucedê-lo.

Fora da Presidência, continuou participando de atividades políticas e internacionais. Em 2011, enfrentou um câncer na laringe, do qual se recuperou após tratamento. Em 2017, perdeu a mulher, Marisa Letícia, com quem havia compartilhado mais de quatro décadas de vida.

Lula e sua falecida esposa Dona Marisa chegam para a posse do presidente, em 2003 | Crédito: Acervo PT

Em abril de 2018, Lula voltou a ser preso, desta vez em decorrência de uma condenação no âmbito da operação Lava Jato. Permaneceu 580 dias encarcerado na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba e foi impedido de disputar a eleição presidencial daquele ano, na qual aparecia à frente das pesquisas de intenção de voto.

A condução dos processos contra Lula tornou-se um dos principais exemplos apontados por juristas e por sua defesa como lawfare, expressão utilizada para descrever o emprego de instrumentos jurídicos com objetivos de perseguição política.

Em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as condenações proferidas pela Justiça Federal de Curitiba, reconhecendo a incompetência daquele juízo para analisar os casos. A Corte também declarou a parcialidade de Sergio Moro, então juiz responsável pela condenação de Lula no processo do tríplex do Guarujá.

A prisão marcou dois de seus aniversários, em 2018 e 2019. No segundo, Lula concedeu uma entrevista ao Brasil de Fato e se emocionou ao falar dos apoiadores que mantinham a Vigília Lula Livre nas proximidades da Polícia Federal.

“Eu estou triste por estar aqui, mas feliz por ter tantos amigos do lado de fora. Peço às pessoas que não deixem destruir o país”, declarou naquela ocasião.

Lula é cercado por apoiadores no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo, antes de se entregar voluntariamente à PF | Crédito: Francisco Poner

Libertado em novembro de 2019, Lula recuperou os direitos políticos após as decisões do STF e voltou a disputar a Presidência em 2022. Derrotou Jair Bolsonaro (PL), então candidato à reeleição, e iniciou seu terceiro mandato em janeiro de 2023.

Foi também nesse período que ganhou espaço em sua vida a socióloga Rosângela da Silva, a Janja, militante do PT desde 1983. Companheira de Lula desde 2017, participou ativamente da Vigília Lula Livre, em Curitiba, e o acompanhou na reconstrução de sua trajetória política após a prisão. Os dois se casaram em maio de 2022, poucos meses antes da eleição presidencial daquele ano. Janja também assumiu um papel ativo na campanha e, posteriormente, na Presidência da República.

O retorno ao governo foi acompanhado pela retomada do Bolsa Família, de uma política de valorização do salário mínimo e de programas de habitação e investimento público. Em 2025, o Brasil voltou a sair do Mapa da Fome das Nações Unidas, condição que havia alcançado pela primeira vez em 2014, durante o governo Dilma.

Google search engine

Fonte Original

Mega-Sena não tem ganhador; prêmio acumula para R$ 305…

Ninguém acertou acertou as seis dezenas do Concurso 3.075 da Mega-Sena, sorteado nesta segunda-feira (26). O prêmio acumulou novamente e está estimado em R$ 305 milhões para...
ARTIGOS RELACIONADOS
Anúncio
Google search engine

MAIS POPULAR