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Documentário sobre a resistência das Ligas Camponesas na Paraíba tem pré-estreia no Rio nesta quarta (17)

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Ameaças, emboscadas, assassinatos e o constante medo de lutar por direitos trabalhistas e pelo direito à terra fazem parte do cotidiano de gerações de trabalhadores rurais. O documentário Não tem água que apague esse fogo registra a resistência camponesa durante a Ditadura Militar na Paraíba. O média-metragem será exibido nesta quarta-feira (17), na Sala 2 do Estação Net Rio, em Botafogo, zona sul do Rio.

Com 30 minutos de duração, o filme traz depoimentos de filhos de pessoas assassinadas por defender uma vida digna e terras para os agricultores e mostra o trabalho de conservação da memória das Ligas Camponesas na Paraíba. A produção é da ONG Criar Brasil.

Ao Brasil de Fato, a professora Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e integrante da Comissão da Verdade do estado, Iranice Muniz, refletiu sobre a importância desse debate nos dias atuais. “O debate sobre as ligas camponesas continua por sua importância histórica na luta pela reforma agrária e pela defesa dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras rurais. O movimento das ligas foi bastante reprimido após o golpe militar de 1964, resultando em perseguições, prisões, assassinatos e desaparecimento de lideranças camponesas e seus apoiadores”, disse. Muniz será uma das participantes do debate que segue à exibição do filme. Nesse momento também estarão presentes as netas de Elizabeth e João Pedro Teixeira, Marta e Marcela Teixeira e a vereadora Maíra do MST.

O filme revela que a luta dos trabalhadores do campo é apagada mesmo para quem está próximo. “Eu só fui realmente tomar consciência, entender e compreender a minha história quando fui para a universidade. Até então, eu sabia que minha avó era Elizabeth Teixeira, mas não sabia quem era essa Elizabeth Teixeira, essa proporção, essa dimensão dessa mulher. Era silêncio total”, conta Juliana Teixeira, neta de Elizabeth e João Pedro Teixeira, líderes históricos das Ligas Camponesas de Sapé.

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Em 26 de maio deste ano, o Ministério Público Federal (MPF) protocolou na 1ª Vara Federal da Paraíba, uma ação contra a União e o estado da Paraíba por serem parte da repressão ao lado de latifundiários contra as Ligas Camponesas da Paraíba. De acordo com o MPF, Exército e Polícia Militar mantiveram uma parceria sistemática com usineiros da região para perseguir, ameaçar, torturar e matar trabalhadores rurais. Ainda na denúncia apresentada, o MPF avalia que a omissão estatal foi um modelo que atravessou décadas e que contribui para que a violência no campo continue. Registros atualizados da Comissão Pastoral da Terra mostram um crescimento das mortes no campo a partir de 2017.

O título do documentário, Não tem água que apague esse fogo, faz referência à frase usada por João Pedro Teixeira, fundador das Ligas Camponesas de Sapé, que inspirou o filme Cabra Marcado para Morrer, de Eduardo Coutinho.

Não tem água que apague esse fogo

Pré-estreia no Rio de Janeiro

Onde: Estação Net Rio, Sala 2, Rua Voluntários da Pátria, 35, Botafogo.

Quando: Quarta-feira, 17 de junho, às 19h.

Ingressos: Gratuitos pelo link

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