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Após sequestro em águas internacionais, Israel prorroga prisão de ativistas brasileiro e palestino em dois dias

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A detenção dos ativistas Thiago Ávila, brasileiro, e Said Abu Keshek, espanhol-palestino, pelo governo israelense foi prorrogada em dois dias neste domingo (3) por um tribunal de Israel.

De acordo com a agência de notícias AFP, eles são acusados por Israel de vínculo com a organização Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA), que, de acordo com os Estados Unidos “age clandestinamente em nome” do grupo islamista palestino Hamas.

Ávila e Keshek integram a Global Sumud Flotilha, organização humanitária voluntária e pacifista que busca romper o bloqueio de Israel à chegada de ajuda humanitária ao povo palestino. A última flotilha partiu em abril com 50 embarcações da França, da Espanha e da Itália.

Nas redes sociais do ativista brasileiro, a esposa de Ávila, Lara Souza, destacou que não foi permitida a comunicação com a família e, somente após chegar à prisão, ele pode ter contato com a embaixada brasileira e a advogada responsável pelo caso dele.

“A advogada responsável pelo caso dele foi informada de que ele estava detido sob acusação de atividades ilegais e associação com terrorismo, sem qualquer especificação do que isso significaria, de qual organização terrorista, eles acreditam que o Tiago fez parte ou que ação ou que configuraria isso”, relatou Lara Souza.

Águas internacionais

As forças israelenses interceptaram as embarcações em águas internacionais, em frente à costa da Grécia, na madrugada de quinta-feira (30).

Entre os 175 ativistas contidos em águas internacionais, os dois ativistas foram os únicos a serem detidos. Na conta oficial de Thiago Ávila no Instagram, postagens denunciam que ele foi torturado, desmaiou duas vezes e ficou temporariamente cego. Os dois ativistas foram colocados diante de um tribunal em Ashkelon, a cerca de 60 km de Tel Aviv, capital de Israel.

“Argumentamos que (…) faziam parte de uma missão humanitária, cujo objetivo era proporcionar ajuda humanitária aos civis em Gaza, e não a nenhuma outra organização, fosse terrorista ou não”, disse a jornalistas a advogada dos ativistas Hadeel Abu Salih após a audiência.

Desde que o traslado deles a Israel foi anunciado, tanto o governo espanhol quanto o brasileiro condenaram a ação como um “sequestro” e reivindicaram “o retorno imediato de seus cidadãos”.

Lara reforça a ilegalidade da prisão, que ocorreu a mais de 1 mil km de distância do território israelense. “O Thiago não é cidadão israelense, não estava em território israelense, nem sequer tinha intenção de se aproximar do território israelense.”

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