quarta-feira, junho 10, 2026
spot_img
InícioPOLITICALicenciamento de fábrica bilionária da CMPC no RS enfrenta contestação técnica e...

Licenciamento de fábrica bilionária da CMPC no RS enfrenta contestação técnica e ambiental

0:00

O processo de licenciamento da nova fábrica de celulose da CMPC, em Barra do Ribeiro, na região Metropolitana de Porto Alegre, tem sido alvo de questionamentos de entidades ambientais, órgãos públicos e instâncias do sistema de justiça. O empreendimento, conhecido como Projeto Natureza, está em análise na Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luís Roessler (Fepam), responsável por avaliar a viabilidade ambiental da instalação.

Em carta enviada a deputados da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, o comitê técnico que analisa o Estudo de Impacto Ambiental e do Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima) do projeto cobrou medidas para garantir critérios técnicos e transparência no processo. O documento afirma que o licenciamento vem sendo conduzido com fragilidades desde a aceitação de um relatório considerado incompleto e inconsistente pelas entidades.

As organizações também apontam que o andamento do processo ocorre sob pressão econômica e política, em razão da dimensão do investimento previsto, estimado em cerca de R$ 25 bilhões pela empresa chilena CMPC.

Impactos ambientais e questionamentos técnicos

Entre os principais pontos levantados pelas entidades está a localização da nova planta industrial, prevista para a localidade de Barba Negra. A área é caracterizada por alta biodiversidade e inclui formações protegidas pela Lei da Mata Atlântica. Parte do território foi classificada pelo Ministério do Meio Ambiente como prioritária para conservação, com presença de espécies ameaçadas e endêmicas.

Segundo o documento encaminhado aos parlamentares, esses elementos não teriam sido devidamente considerados no Estudo de Impacto Ambiental apresentado pela empresa. Também é questionada a tentativa de alteração de limites de uma Reserva Particular do Patrimônio Natural criada pela própria CMPC, o que, na avaliação das entidades, levanta dúvidas jurídicas e ambientais.

Outro ponto citado é a ausência de análise consistente de alternativas locacionais para o empreendimento, além da proximidade com territórios indígenas, especialmente de comunidades Mbyá Guarani presentes no município.

Consulta a indígenas e atuação do Ministério Público Federal

A ausência de consulta às comunidades indígenas levou o Ministério Público Federal (MPF) a recomendar, no início de março, a suspensão do licenciamento ambiental. A medida foi direcionada à Fepam, à Fundação Nacional dos Povos Indígenas e ao Ministério dos Povos Indígenas.

O órgão apontou a necessidade de garantir a consulta livre, prévia e informada, conforme previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, antes de qualquer avanço no processo. A recomendação considera que o empreendimento pode afetar diretamente modos de vida e territórios dessas populações.

Decisão no Conselho Nacional do Ministério Público

A recomendação do MPF foi posteriormente suspensa por decisão liminar de um conselheiro do Conselho Nacional do Ministério Público. A medida atendeu a questionamentos sobre a atuação do órgão no caso e interrompeu, temporariamente, os efeitos da recomendação que solicitava a paralisação do licenciamento.

A decisão não trata diretamente dos impactos ambientais do projeto, mas interfere no andamento institucional do processo, permitindo a continuidade da tramitação administrativa enquanto a questão é analisada no âmbito do conselho.

Efluentes e impactos sobre o Guaíba

Outro aspecto central do debate envolve o volume de efluentes que será lançado no Guaíba. Atualmente, a CMPC já opera uma fábrica no município de Guaíba, que despeja cerca de 154,4 milhões de litros de efluentes por dia. Com a nova planta, a previsão é de mais 242 milhões de litros diários.

Com isso, o volume total chegaria a aproximadamente 396,4 milhões de litros por dia, carga equivalente ao esgoto gerado por cerca de 2 milhões de pessoas. As entidades apontam que os efluentes podem conter substâncias como dioxinas e furanos, classificadas como poluentes orgânicos persistentes, de alta toxicidade e longa permanência no ambiente.

Também é questionado o local previsto para o despejo, a poucos quilômetros de pontos de captação de água utilizados para abastecimento público, o que, segundo as organizações, exigiria análises mais detalhadas sobre a dinâmica das águas do Guaíba.

Fonte Original

Conceição do Mato Dentro reforça debate sobre diversificação econômica com segundo fórum em seis meses

Quando uma cidade realiza dois fóruns sobre diversificação econômica com apenas seis meses de intervalo entre eles, o recado é claro: o futuro não...

Construir a nova Ásia de nossos sonhos

O crescimento econômico por si só não garante a soberania genuína na Ásia; uma plataforma regional de coordenação continua sendo uma necessidade material vital...
ARTIGOS RELACIONADOS
Anúncio
Google search engine

MAIS POPULAR