quarta-feira, junho 10, 2026
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Mulheres vão a serviços de saúde antes de feminicídios, mostra projeto

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Mulheres vítimas de violência procuraram mais vezes as unidades de saúde, alegando questões de saúde mental, nos três meses que antecederam uma grave agressão ou mesmo um feminicídio. Essa foi a conclusão do cruzamento de dados feito pela Prefeitura do Recife e que fundamentou uma nova ferramenta para prevenção e a assistência às mulheres vítimas de violência.

O projeto usa inteligência artificial para identificar possíveis vítimas nas Unidades de Saúde e emitir um alerta para médicos, enfermeiros, dentistas e outros profissionais. A mensagem chega por meio do Prontuário Eletrônico das Unidades Básicas, durante o atendimento.

O uso da Inteligência Artificial, batizada “ClarIA”, analisou os atendimentos de 16 mil mulheres vítimas de violência, ao longo de 10 anos. As vítimas tendem a buscar mais atendimento para tratamentos psicológicos, alegando quadro depressivo, ansiedade ou pânico.

As informações foram cruzadas com o Sistema de Informações de Agravos de Notificação, e daí foi possível identificar padrões de adoecimento e comportamento das vítimas, explicou a secretária de Saúde, Luciana Albuquerque.

“No estudo feito com mais de 900 mil registros de mulheres em vários sistemas de informação e o prontuário eletrônico da atenção básica, se constatou que  92 dias antes do feminicídio a mulher procura mais vezes a unidade básica de saúde, pedindo socorro, mas não de forma aberta. Ela não fala claramente sobre a violência. E 30 dias depois da notificação ocorre o feminicídio”.

Hoje, três em cada quatro notificações de violência contra a mulher são feitas já pelos pronto-socorros, enquanto apenas 1% são feitas na Atenção Básica. Uma subnotificação que pode ser enfrentada, de acordo com a Secretária da Mulher, Glauce Medeiros.

“Um dos graves problemas do enfrentamento à violência contra a mulher é a subnotificação e agora com a ClarIA, nós vamos poder chegar mais cedo junto a essas mulheres que estão em situação de violência e esas mulhres serão encaminhadas para a secretaria da Mulher, para nossa rede de enfrentamneto, a Rede ClariCCC, onde nossa equipe multidisciplinar estará pronta para atender, acolher e encaminhar caso a caso, de acordo com a especiicade de cada um”.

O projeto piloto para ajudar a identificar mulheres vítimas de violência começou em três Unidades de Saúde da Família. Neste mês de março, serão mais 21 unidades integradas à iniciativa no Recife.


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