quarta-feira, junho 10, 2026
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Perícia no corpo de PM aponta lesões na face e na região cervical

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O laudo da perícia no corpo da policial militar Gisele Alves Santana, que faleceu no último dia 18 de fevereiro em São Paulo, apontou lesões na face e na região cervical. Gisele foi encontrada morta, com um tiro na cabeça, no apartamento em que morava com o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite.

O laudo do IML, realizado após a exumação do corpo, na última sexta-feira (6), indicou lesões contundentes por pressão digital e escoriações compatíveis com arranhões e marcas de unhas. O advogado da família da vítima, José Miguel da Silva Junior, avalia que a indicação de marcas no pescoço da policial militar Gisele Alves Santana é um fator determinante no caso:

“Aí é um entendimento meu. Com os outros elementos de prova, corrobora que foi um feminicídio. Esta marca é um fator preponderante. É uma equimose de dedos, de como segurou a pessoa com a mão.”

Entre os indícios que levam à tese de feminicídio, segundo o advogado da família da vítima, está o testemunho de uma vizinha que ouviu um disparo de arma de fogo cerca de meia hora antes de o marido da policial chamar o resgate.

Banho e arma

Também chamou atenção o relato do tenente-coronel de que estaria tomando banho no momento do disparo e a forma como a arma foi encontrada na mão da vítima:

“Um ponto-chave na investigação de que por que ele tinha que tomar outro banho? Os socorristas, ao chegarem, não viram o banheiro molhado. Tem outros depoimentos de socorristas que, ao chegarem ao local, já falaram: ‘opa, isso aqui tá meio estranho para suicídio’. Tanto é que tiram uma foto dela com a arma na mão. A arma está grudada na mão dela. Mulher, a mão geralmente pequena, realiza um disparo, com certeza vai perder os sentidos e a arma não vai cair colada na mão dela.”

Inicialmente, o registro policial sobre a morte, causada por um tiro na cabeça, indicava a hipótese de suicídio, relatada pelo marido de Gisele no dia da morte. Posteriormente o caso passou a ser investigado como morte suspeita.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que a autoridade policial aguarda os laudos referentes à reconstituição e à exumação do corpo da vítima e que os detalhes serão preservados, devido ao sigilo judicial.

A defesa do tenente-coronel Geraldo Leite foi procurada, mas não respondeu até o fechamento da reportagem.

*Com colaboração de Camila Boehm


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