quarta-feira, junho 10, 2026
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Mulheres vão às ruas em Salvador na luta contra feminicídio, por democracia e fim da escala 6×1

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Milhares de pessoas ocuparam a orla de Salvador, na manhã deste domingo (8), no ato do Dia Internacional das Mulheres. Com o lema “Mulheres vivas, em luta e sem medo: por democracia com soberania, pelo Bem Viver, fim do feminicídio e da escala 6×1”, a manifestação saiu do Cristo em direção ao Farol da Barra, reunindo diversas organizações, movimentos populares, partidos políticos e grupos culturais.

Organizado e convocado pelo Movimento 8M, coletivo unificado de organizações do campo e da cidade, o ato teve como um dos objetivos a denúncia da escalada da violência de gênero na Bahia e no Brasil.

“É um 8 de março diferente. Não é só por conta do ano eleitoral, mas é por conta de tudo que a gente está vivendo. Pelo aumento do feminicídio contra as mulheres, e morte de mulheres pelos ditos companheiros, que estão dentro das nossas próprias casas. O aumento disso é aterrorizante, não só para as mulheres. É aterrorizante para uma sociedade que se propõe a uma convivência mais igual, mais partilhada”, destaca Lucinha do MST, secretária nacional de Movimentos Populares do Partido dos Trabalhadores (PT).

Lucinha também ressalta a importância da luta pelo fim da escala 6×1, sobretudo pelo impacto da dupla e tripla jornada de trabalho na vida das mulheres.

“Nós somos a maior parte da população brasileira e também a maior parte da força de trabalho neste país. Nós precisamos de tempo para o lazer, para o descanso, para o cuidado com a nossa família, com o nosso ambiente, com o lugar que a gente vive”, aponta.

Organização popular para ampliar horizontes

Reunindo mulheres de diferentes gerações, a mobilização também mostrou a importância da organização feminista em diversos espaços para forjar uma nova geração de mulheres lutadoras. É o caso de Maielly Paixão, estudante do bacharelado interdisciplinar em Saúde, da Universidade Federal da Bahia (Ufba), e militante do Levante Popular da Juventude. Para a jovem, a educação e a participação em movimentos sociais abriu novas perspectivas para compreensão da realidade.

“É muito importante estar dentro dessas pautas, que antes eu não tinha acesso. E hoje o Levante me trouxe a essa abertura, e também a faculdade, ela abriu muito espaço para eu entender a importância das mulheres estarem ocupando todos os espaços, tanto na universidade e principalmente nas lutas. Nas lutas contra o feminicídio, que os números só têm aumentado, na luta contra o racismo”, aponta.

Diversas gerações de mulheres se somaram à mobilização neste 8 de março – Lorena Andrade/Brasil de Fato

A estudante também destaca a importância de toda a sociedade se envolver na luta em defesa da vida e dos direitos das mulheres.

“A luta não é só para as mulheres, é para todos, então todos podemos nos unir por uma causa maior, que é a democracia.”

Março de lutas

Ao longo do mês, diversas atividades de formação, organização e luta feminista estão previstas na Bahia. Dentre elas, o 15º Acampamento das Mulheres do Campo e da Cidade. Organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o encontro irá reunir mulheres camponesas, indígenas, quilombolas e trabalhadoras da cidade na Escola Parque, em Salvador, entre os dias 26 e 28 de março.

Com o lema “Mulheres Vivas! Enfrentando as violências, defendendo o território e a soberania”, o acampamento pretende ser um espaço de formação, partilha de experiências, fortalecimento da luta feminista popular e construção coletiva de estratégias para enfrentamento de violências e defesa dos territórios.

Para Lucinha do MST, o encontro já é uma tradição e fortalece a unidade das mulheres que estão em diversos espaços de atuação.

“O acampamento é essa junção da luta do campo e da luta das cidades, pelo fim do feminicídio e pelas nossas existências também no campo. Pelos nossos corpos, pelos nossos territórios e territórios livres de violência de todo tipo”, finaliza.

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