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Líderes mundiais rejeitam ataque de EUA e Israel ao Irã; Brasil condena e pede proteção de civis

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Autoridades de todo o mundo reagiram ao ataque dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, no início deste sábado (28), a despeito das negociações diplomáticas em andamento entre Washington e Teerã. Do outro lado, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã respondeu com ataques generalizados com mísseis contra áreas sob ocupação israelense. 

Até o momento, pelo menos 51 pessoas morreram no Irã, sendo a maioria estudantes. De acordo com a autoridade local Mohammad Radmehr, o ataque atingiu diretamente uma escola em Minab, cidade do sul do Irã, onde havia cerca de 170 estudantes no momento. As equipes de resgate ainda atuam no local, e o número de vítimas pode aumentar.

O governo brasileiro condenou os ataques e expressou “grave preocupação” com os ataques. “Um processo de negociação entre as partes”, diz o comunicado, “é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região”.

“O Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil”, diz outro trecho. 

O Itamaraty informou que as embaixadas brasileiras na região acompanham a situação, com atenção especial às comunidades brasileiras, e recomendou que cidadãos sigam as orientações de segurança das autoridades locais. O embaixador em Teerã também mantém contato direto com brasileiros no país para fornecer atualizações e orientações.

A Rússia pediu a suspensão dos ataques e afirmou que a situação deve ser “retornada ao caminho da solução política e diplomática”. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia disse que a comunidade internacional precisa avaliar o que chamou de ações “irresponsáveis” que podem ampliar a instabilidade regional. O governo russo também declarou que permanece disponível para apoiar iniciativas com base no direito internacional, no respeito mútuo e no equilíbrio de interesses.

O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Al Busaidi, afirmou estar “consternado” com os ataques e disse que as negociações foram prejudicadas. Segundo o ministro, nem os interesses dos Estados Unidos nem a causa da paz são atendidos com o conflito. Al Busaidi afirmou que os EUA não devem se envolver ainda mais e declarou que “esta não é a sua guerra”.

Os Emirados Árabes Unidos condenaram ataques com mísseis iranianos que mataram um cidadão paquistanês após destroços atingirem o território. O Ministério das Relações Exteriores afirmou que qualquer ataque contra países do Golfo representa ameaça à segurança regional e pediu moderação e solução diplomática. Já o ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, condenou os ataques “injustificados” e pediu a interrupção da escalada por meio da retomada da diplomacia.

O Kuwait afirmou que os ataques conduzidos pelo Irã representam violação “flagrante” de seu espaço aéreo e declarou que se reserva ao direito de responder de forma “proporcional”. O governo também alertou que novas ações militares podem afetar a estabilidade regional.

O Catar declarou que se reserva o direito de responder após ataques com mísseis balísticos e classificou a ação como violação “flagrante” de sua soberania e ameaça à segurança regional.

O presidente da França, Emmanuel Macron, declarou que o início de um conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã têm consequências para a paz e a segurança internacionais. Macron afirmou ainda que medidas estão sendo adotadas para proteger cidadãos franceses e que o país está pronto para apoiar parceiros que solicitem ajuda.

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, rejeitou o que chamou de ação militar “unilateral” e afirmou que a ofensiva contribui para uma ordem internacional mais instável. Sánchez também declarou que rejeita ações do governo iraniano e da Guarda Revolucionária e pediu “desescalada imediata” e respeito ao direito internacional.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmaram que os acontecimentos são “extremamente preocupantes”. Em declaração conjunta, pediram que todas as partes exerçam “máxima contenção”, protejam civis e respeitem o direito internacional.

O Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia afirmou que a escalada é resultado das ações do governo iraniano e declarou apoio ao povo iraniano. O governo ucraniano também pediu mudanças políticas no país e afirmou que os acontecimentos estão ligados ao que chamou de violência e repressão contra manifestantes.

O que dizem os envolvidos?

Em pronunciamento em vídeo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu que a operação militar conjunta com Israel pode causar baixas entre soldados norte-americanos, afirmando que “isso frequentemente acontece em guerra”. 

O republicano também declarou que os objetivos incluem destruir a indústria de mísseis do Irã, neutralizar sua marinha e desarticular forças aliadas na região. Segundo Trump, ataques anteriores, chamados de “Operação Midnight Hammer”, já teriam atingido instalações nucleares em Fordow, Natanz e Isfahan.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que os bombardeios visam eliminar o que classificou como uma “ameaça existencial”, e disse que a operação pode criar condições para que o povo iraniano “assuma seu destino”.

Em resposta, o Ministério do Interior iraniano condenou os ataques como uma violação das leis internacionais e ativou o sistema nacional de gestão de crises, orientando autoridades locais a mobilizar recursos e a população a seguir apenas informações oficiais.

A ofensiva ocorre em meio a negociações sobre o programa nuclear iraniano e sem autorização do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), ampliando as tensões e o risco de escalada militar na região.

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