Os Estados Unidos anunciaram novas sanções contra o Irã nesta quarta-feira (25/02), um dia antes de mais uma rodada de negociações entre os dois países sobre o programa nuclear do país persa. Nos últimos dias, o presidente norte-americano Donald Trump tem pressionado Teerã para assinar um acordo o quanto antes.
Segundo o Departamento do Tesouro, a medida mira 30 indivíduos, entidades e embarcações acusadas supostamente de facilitar “vendas ilícitas de petróleo iraniano”, produção de mísseis balísticos e “armas avançadas convencionais”.
Em comunicado, a pasta disse que as sanções integram a “campanha de máxima pressão contra o Irã”, incluindo navios da “frota sombra” do país, que transportam “petróleo e derivados para mercados estrangeiros e servem como fonte primária de receitas para o regime financiar a repressão doméstica e terroristas por procuração”.
“O Irã explora os sistemas financeiros para comercializar petróleo ilícito, lavar o dinheiro obtido com a venda, adquirir componentes para seus programas de armas nucleares e convencionais e apoiar grupos terroristas”, disse o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent.
“Sob a forte liderança do presidente Trump, o Tesouro continuará a exercer a máxima pressão sobre o Irã para atingir as capacidades bélicas do regime e seu apoio ao terrorismo”, acrescentou.
As sanções bloqueiam todos os bens e ativos financeiros de seus alvos sob jurisdição estadunidense e proíbem transações envolvendo cidadãos dos EUA.
A próxima rodada de negociações está marcada para esta quinta-feira (26/02), em Genebra, na Suíça, e Trump chegou a insinuar que Teerã teria apenas até o início de março para aceitar um pacto. Apesar das ameaças, nesta quarta-feira, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian disse ter “boas perspectivas para as conversas”, durante encontro com investidores e funcionários do setor econômico.
Os Estados Unidos já deslocaram diversos navios militares, incluindo dois porta-aviões, para o Oriente Médio, e o presidente Trump disse, em seu discurso sobre o Estado da União, que não autorizará o desenvolvimento de armas nucleares por parte do Irã. Em resposta, Teerã criticou as “mentiras flagrantes”, já que o país há muito tempo mantém seu programa nuclear pacífico.
O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, reafirmou o compromisso do Irã com a diplomacia, enfatizando a busca por um acordo “justo e equitativo” no menor prazo possível. Ainda reiterou firmemente que a nação persa nunca perseguirá armas nucleares e não renunciará ao seu direito à tecnologia nuclear pacífica.
“Nossas convicções fundamentais são cristalinas: o Irã jamais desenvolverá sob circunstância uma arma nuclear; nem nós, iranianos, jamais renunciaremos ao nosso direito de aproveitar os benefícios da tecnologia nuclear pacífica para o nosso povo”, afirmou. “Temos uma oportunidade histórica de fechar um acordo sem precedentes que aborde preocupações mútuas e alcance interesses mútuos. Um acordo está ao alcance, mas somente se a diplomacia for prioritária”.
*Com Ansa e Tasnim


