A produtora Pan-African TV lançou o documentário “Fidel Castro: vida revolucionária em Cuba, África e Gana”. O objetivo é mostrar a história do líder da Revolução Cubana para além da atuação no Caribe e a influência política castrista em países africanos e nas lutas de independência e libertação nacional do continente.
A produção audiovisual de 30 minutos foi lançada em 15 de janeiro e mostra como se deu a preocupação de Fidel para que as ideias revolucionárias não se limitassem a Cuba e ao Caribe, mas que o governo cubano deveria ser solidário a outras frentes de luta de esquerda ao redor do mundo.
Victoria Wilson é jornalista da Pan-African TV e integrante do Movimento Socialista do Gana (SMG). De acordo com ela, o filme é importante porque mostra que, mesmo sendo amplamente reconhecido como líder da Revolução Cubana, suas ideias se entrelaçaram com as lutas por dignidade e autodeterminação em outros países.
“Fazer este filme permite que a história seja revisitada a partir de uma perspectiva mais ampla e equilibrada, que reconhece Castro não apenas como uma figura da Guerra Fria, mas como um ser humano movido por profundas convicções ideológicas e pela crença na solidariedade global. Ele preserva uma história compartilhada entre Cuba e a África que corre o risco de ser esquecida, especialmente pelas gerações mais jovens”, disse ao Brasil de Fato.
O documentário foca na vida e na atuação política de Fidel Castro em três espaços: Cuba, África e Gana. Começa desenhando a sua ascensão revolucionária na ilha e depois traça a relação com a África e o seu apoio ativo aos movimentos de libertação. A produção termina focando em Gana, onde fica a sede da Pan-African TV, e o governo de Kwame Nkrumah. De acordo com os produtores, o filme enfatiza o impacto e como as ideias se traduziram em educação, saúde, apoio militar e parcerias de longo prazo para os países.
A produção combina imagens de arquivo, entrevistas com especialistas e militantes cubanos, além de uma narração.
“O foco é tanto histórico quanto humano, mostrando como as crenças de Castro moldaram vidas reais para além da sua pátria. A narração conecta as diferentes linhas temporais e geografias, garantindo clareza e continuidade emocional. Essa abordagem permite que o filme seja informativo e, ao mesmo tempo, intimista, dando à história uma voz humana em vez de apresentá-la como algo distante ou abstrato”, disse Wilson.
A narrativa traça uma relação entre Cuba e os países africanos construída com base na solidariedade, e não na exploração. Exemplos disso foram apoios militares, assistência médica, educação e respaldo político, tendo como raízes uma luta compartilhada contra o colonialismo, o apartheid e o imperialismo.
“Essa relação influenciou o curso da libertação em países como Angola e África do Sul e fortaleceu os esforços de desenvolvimento pós-independência em todo o continente. Ela representa um raro exemplo de cooperação entre nações do Sul Global, baseada no respeito mútuo e em ideais compartilhados”, afirmou Victoria.
A jornalista diz ainda que o documentário busca educar, humanizar e provocar reflexão, aprofundando a compreensão do legado de Fidel Castro. Uma outra provocação feita pela produção faz referência a uma “questão moral” sobre como a África pode retribuir essa solidariedade em um momento em que Cuba enfrenta dificuldades econômicas e pressão econômica e militar dos Estados Unidos.
“Para o público africano, particularmente em Gana, o filme reconecta os espectadores com uma história de solidariedade internacional que ajudou a moldar o seu presente. Em última análise, o objetivo é inspirar o diálogo sobre responsabilidade compartilhada, alianças duradouras e o poder de estarmos unidos além-fronteiras em tempos de luta”, concluiu.


