A Polícia Civil prendeu 29 homens suspeitos de violência contra mulheres durante a Operação Ano-novo, Vida Nova, realizada ao longo de 24 horas, na terça-feira (20), em 53 municípios do Rio Grande do Sul. A ação também resultou na apreensão de quatro armas de fogo e munições, encontradas no cumprimento de mandados de busca e apreensão.
Coordenada pelo Departamento de Proteção a Grupos Vulneráveis (DPGV), a ofensiva mobilizou 363 agentes e teve prisões em 12 cidades. Porto Alegre concentrou 15 detenções, seguida por Capão da Canoa, com três, e Rosário do Sul, com duas. Também houve prisões em Canoas, Gravataí, Novo Hamburgo, Bom Jesus, Rio Grande, Erechim, Santa Rosa, Osório e Farroupilha, com um caso em cada município.
Os dados da Secretaria da Segurança Pública indicam que o Rio Grande do Sul registrou 80 feminicídios em 2025. Nos primeiros 20 dias deste ano, sete mulheres foram mortas. No mesmo período do ano passado, foram nove.
A secretária-adjunta da Segurança Pública, Adriana da Costa, afirmou que as ações buscam ampliar o acompanhamento das denúncias e o atendimento às vítimas. Segundo ela, a atuação das forças policiais ocorre a partir do registro das ocorrências e do trabalho conjunto da Polícia Civil e da Brigada Militar, incluindo a patrulha Maria da Penha, para dar suporte às mulheres em situação de violência.
De acordo com o diretor do DPGV, Juliano Ferreira, a iniciativa deve se tornar sistemática, com a checagem de denúncias e a qualificação do atendimento policial. Ele defendeu a ampliação da rede de proteção e a participação de outros setores da sociedade no enfrentamento ao que classificou como machismo estrutural, destacando que a violência contra mulheres “não é um problema apenas de polícia, mas uma questão que envolve toda a sociedade”.
A delegada Waleska Alvarenga, diretora da Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher, afirmou que todos os autores de feminicídios registrados no estado desde o início do ano estão presos. Segundo ela, a ofensiva envolve todas as delegacias e tem como objetivo reduzir a sensação de impunidade.
“Essa operação realizada logo no início do ano busca interromper ciclos de violência contra mulheres e meninas, com a verificação de denúncias anônimas e o cumprimento de mandados judiciais. Muitos dos presos descumpriram as medidas protetivas. É uma ação clara de combate à impunidade”, disse.


