terça-feira, fevereiro 17, 2026
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MST conquista assentamento para 2 mil famílias no Paraná

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Em uma decisão histórica, nesta última quinta-feira (15) foi publicado acordo para criação de quatro novos assentamentos para mais de 2 mil famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na região central do Paraná. A área foi ocupada há mais de 30 anos, em 1996. O pedido de acordo global para estas quatro comunidades foi publicado pelo Incra em 27 de julho de 2025, o acordo encerra um impasse de mais de dez anos.

As áreas regularizadas, que somam mais de 33 mil hectares, eram de propriedade da madeireira Araupel. Em agosto de 2017, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) declarou nulos os títulos de propriedade da madeireira nas áreas ocupadas pelo MST, confirmando a prática de grilagem. A destinação às comunidades Dom Tomás Balduíno, Araucária, Nova Vitória e Herdeiros da Terra de 1º de Maio foi viabilizada após anos de negociações envolvendo o Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra), os Ministérios do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), das Relações Institucionais, da Fazenda, a Procuradoria-Geral da UNIÃO, a Advocacia-Geral da União (AGU), Ministério Público Federal (MPF), Tribunal Regional Federal da 4ª região (TRF-4), e Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (CEJUSC) do Tribunal de Justiça do Paraná, além do grupo proprietário da empresa Araupel, proprietária das áreas.

Ocupação da Fazenda Araupel
Ocupação da Fazenda Araupel, no Paraná, em 17 de abril de 1996. Foto: Sebastião Salgado | Crédito: Foto: Sebastião Salgado

A União pagará aproximadamente 580 milhões em precatórios para indenizar a empresa e regularizar a posse das terras, destinadas oficialmente à reforma agrária. A solução surge após uma intensa onda de mobilizações a partir de julho de 2025, quando o MST aumentou a pressão sobre o Incra. Após audiências em Brasília e protestos organizados pelo movimento, uma solução global para o conflito fundiário na região foi finalmente aprovada e publicada.

:: 2020; Audiência propõe fim do conflito entre MST e Araupel no Paraná

Entre as milhares de famílias camponesas que ocuparam a área e formaram a comunidade Herdeiros da Terra de 1º de Maio, há 11 anos, estava a de Sandra Padilha Alves. “Estou desde o início do acampamento, onde conquistamos um pedaço de terra. Eu trabalho na produção no lote junto com a minha família, com hortaliças. Estou começando um horto medicinal intercalado com a horta de saladas, verduras diversas”, conta Sandra, que integra a direção do acampamento. “Não tem como descrever a emoção deste dia. Nós temos muito o que comemorar”, completa.

Durante a audiência entre as partes realizada nesta quinta, a procuradora-chefe do Incra, doutora Maria Rita Rei, classificou a realidade agrária na região centro do Paraná como o “maior e mais antigo conflito fundiário coletivo” da região sul do Brasil, com impacto no desenvolvimento socioeconômico da região. “Para além da pacificação social gerada pela regularização fundiária, a medida contribuirá para o desenvolvimento socioeconômico de toda região”, segundo trecho da ata da audiência, referente ao pronunciamento da procuradora-chefe.

No final da tarde desta quinta-feira, a ministra de Relações Institucionais do Governo Federal, Gleisi Hoffmann, enviou um vídeo às famílias do MST da região: “Há muito tempo eu acompanho a luta para que a gente regularize a área, para que efetivamente todas as famílias possam ter o seu lugar, o seu pedaço de chão. Sei o quanto vocês lutaram, sei o quanto vocês sofreram, companheiros que morreram, perderam a vida lutando em favor da terra. E agora, com o governo do presidente Lula, com a determinação dele para a gente avançar na reforma agrária, graças a Deus, nós estamos avançando”.

Os quatro acampamentos que serão transformados em assentamentos da reforma agrária já são comunidades estruturadas, com ampla produção de alimentos, estradas, escolas e espaços coletivos.

Entre as comunidades, o maior e mais antigo acampamento, Herdeiros da Terra de 1º de Maio é formada por 1.123 famílias, com mais de 3 mil pessoas, lá está a Escola Itinerante Herdeiros do Saber II, na comunidade do Guajuvira, atendem cerca de 590 estudantes das séries iniciais do ensino fundamental até o ensino médio, além do curso profissionalizante de formação de docentes.

Já a comunidade Dom Tomás Balduíno, localizada em Quedas do Iguaçu possui 551 famílias atualmente cadastradas pelo Incra. A diversidade de produção no acampamento vai de grãos até a extração e beneficiamento dos frutos da palmeira juçara, que também colocam a comunidade em destaque na defesa do meio ambiente. Desde 2023, a comunidade realiza a Festa da Semeadura da Palmeira Juçara, nacionalmente conhecida por utilizar helicópteros para a dispersão de sementes.

Apesar do avanço, a luta pela terra na região segue: ainda há demanda pelo assentamento de outras 600 famílias. Em todo o Paraná, cerca de 80 comunidades aguardam a efetivação da reforma agrária, algumas delas acampadas há mais de 30 anos.

O MST destaca que a vitória está diretamente ligada ao atual contexto político nacional e à defesa da democracia, marcando um novo capítulo em uma trajetória de resistência que se estende por décadas.

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