quarta-feira, junho 10, 2026
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Milhares de cubanos se mobilizam em Havana em apoio à Venezuela e à Revolução Bolivariana

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Milhares de cubanos se mobilizaram neste sábado (3) em Cuba, na capital Havana, em defesa da Venezuela e em repúdio aos ataques dos Estados Unidos contra a nação sul-americana, exigindo que o presidente do país, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, sejam devolvidos com vida após o sequestro de ambos pelas forças estadunidenses.

Desde as primeiras horas da manhã, milhares de pessoas de diferentes partes de Havana começaram a se concentrar em frente à embaixada dos Estados Unidos, levando bandeiras, camisetas e insígnias com as cores da Venezuela. “Abaixo o imperialismo!” e “Cuba e Venezuela, uma só bandeira” foram algumas das palavras de ordem ouvidas durante a manifestação.

A mobilização ocorreu na histórica Tribuna Anti-imperialista, um espaço simbólico das manifestações de rejeição à política de Washington.

A mobilização foi convocada nas primeiras horas da manhã pelo governo cubano. O ato central teve início com a leitura do poema de Bonifacio Byrne, “Um canto à bandeira”, cujos versos foram repetidos pela multidão.

“Se desfeita em pequenos pedaços vier a ser minha bandeira algum dia, nossos mortos, erguendo os braços, ainda saberão defendê-la”.

Em seguida, foram entoados os hinos nacionais de Cuba e da Venezuela.

Entre os primeiros oradores esteve Fernando González Llort, presidente do Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP) e Herói da República de Cuba, que denunciou o “ataque covarde e vil” executado pelo governo dos Estados Unidos. Em sua intervenção, afirmou que a agressão não se tratava de um fato isolado, mas de “uma escalada na longa guerra econômica, midiática e diplomática e, mais recentemente, de ameaças militares, com o objetivo de submeter um povo soberano e destruir à força um projeto de independência e justiça social como a Revolução Bolivariana”.

Cubanos manifestação apoio à Venezuela, em Havana | Foto: Gabriel Veras Lopes / Brasil de Fato

As intervenções foram intercaladas com apresentações musicais de diversos trovadores. O presidente da Casa de las Américas, Abel Prieto Jiménez, criticou aqueles que celebram esses acontecimentos. “Não pode haver uma pessoa digna neste mundo que não denuncie, por todos os meios ao seu alcance, essa infâmia”, disse.

Prieto também exortou à intensificação da denúncia internacional e destacou a necessidade de dar visibilidade ao ocorrido. “Temos de bater a todas as portas para que a verdade circule sobre esse plano sinistro de se apoderar das riquezas da Venezuela”, afirmou diante dos presentes.

Vamos cerrar fileiras, povos da América!

O discurso central do ato ficou a cargo do presidente da República de Cuba, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, que classificou a agressão como um ato de terrorismo de Estado dos Estados Unidos contra a Venezuela e exigiu a libertação imediata de Nicolás Maduro e Cilia Flores.

Diante do povo reunido, em tom visivelmente emocionado, Díaz-Canel afirmou que o ocorrido constitui uma violação flagrante da soberania venezuelana e do direito internacional, e o definiu como um ataque criminoso contra a América Latina, declarada zona de paz. Ele rejeitou de forma categórica a Doutrina Monroe e reafirmou o compromisso de Cuba com a defesa da soberania regional.

O mandatário qualificou a operação estadunidense como um ataque covarde, criminoso e traiçoeiro contra um povo pacífico e nobre, ao qual descreveu como uma expressão do neofascismo. Alertou que a ameaça não se limita à Venezuela, mas se estende à humanidade inteira, sustentada pelo que chamou de falaciosa doutrina da paz por meio da força.

Cubanos manifestação apoio à Venezuela, em Havana | Foto: Gabriel Veras Lopes / Brasil de Fato

Recordando palavras de Fidel Castro, Díaz-Canel assegurou que “nunca todas as nações do mundo estiveram submetidas ao poder e aos caprichos de quem dirige uma superpotência, com um poder aparentemente sem limites, cuja filosofia, ideias políticas e noções de ética ninguém conhece minimamente”. Acrescentou que essas palavras parecem escritas para descrever a atuação dos Estados Unidos contra a Venezuela.

“Não, senhores imperialistas. Este não é o seu quintal nem um território em disputa”, afirmou sob aplausos dos milhares de presentes. “Não aceitamos nem reconhecemos a Doutrina Monroe. Nem reis, nem imperadores fora do tempo. A terra de Bolívar é sagrada, e um ataque a seus filhos é um ataque a todos os filhos dignos da nossa América.”

O presidente afirmou que, pela Venezuela, os cubanos estão dispostos a dar “até a própria vida”. “Só se pode chamar de covarde, criminoso e traiçoeiro o ataque realizado de madrugada contra um povo pacífico e nobre”, declarou, ressaltando que se trata de “uma expressão inequívoca do fascismo, ou melhor, do neofascismo que se pretende impor a toda a humanidade”.

“Por isso, a ameaça não é apenas contra a Venezuela. A ameaça é contra a humanidade inteira e se sustenta na falaciosa doutrina da paz por meio da força”, afirmou, acrescentando que o ataque à Venezuela constitui um ato de “terrorismo de Estado” e comparou os crimes dos Estados Unidos aos cometidos pelo Estado de Israel contra o povo palestino.

“O objetivo é também apagar esse bastião de resistência ao imperialismo e de defesa da integração regional que é a Revolução Bolivariana”, afirmou.

O presidente cubano ressaltou que “os Estados Unidos não têm qualquer autoridade moral ou legal para retirar à força de seu país o presidente venezuelano”, mas os declarou “responsáveis, diante do mundo, pela integridade física de Maduro”.

Ao finalizar seu discurso, Díaz-Canel evocou a advertência de Che Guevara: “no imperialismo não se pode confiar, ‘nem um pouquinho assim’”.

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