Durante a COP30, o governo federal anunciou que está avançando na demarcação das Terras Indígenas (TIs) Sawré Muybu e Sawré Ba’pim, do povo Munduruku, no Pará. O comunicado foi feito pelas ministras Sonia Guajajara, dos Povos Indígenas, e Marina Silva, do Meio Ambiente e Mudança do Clima após protesto dos Mundukuru na sexta-feira (14).
Se tratam dos territórios Sawré Muybu, localizado nos municípios de Itaituba e Trairão, no Pará, e Sawré Ba’pim, em Itaituba, também no estado e considerada a capital do garimpo.
Na sexta, representantes do povo Munduruku realizaram um protesto na entrada da chamada Blue Zone da COP30, o local onde acontecem as reuniões e tratativas oficiais entre as autoridades do evento. Representantes indígenas garantiram, assim, uma reunião com o presidente da Conferência, André Corrêa do Lago, e as ministras.
Ao lado de Marina Silva, Sonia Guajajara enalteceu a ação dos indígenas e comunicou o avanço nas demarcações.
“É legítimo, esse manifesto é legítimo. Eles vieram aqui pedir esclarecimentos sobre a demarcação dos territórios. O processo demarcatório da Sawré Muybu já foi assinado pelo ministro [Ricardo] Lewandowski e o processo da Sawré Ba’pim está no Ministério da Justiça, em um pacote de terras indígenas que devem ser assinadas até o final deste ano.”
Apesar destas vitórias, lideranças Munduruku enfatizaram que a maior preocupação é em relação ao megaempreendimento conhecido como Ferrogrão, ferrovia que ligará o Mato Grosso ao Pará, impactando diversas terras, além de abrir novas fronteiras para desmatamento, alertam indígenas e diversos estudos.
Sobre isso, a ministra Marina Silva respondeu que a iniciativa não está avançando.
“Esse processo está judicializado. Quando foi apresentado o EIA/RIMA [Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental], estava muito ruim, o Ibama devolveu. Desde então, não foi reapresentado, mas a preocupação deles continua e é uma preocupação legítima.”
Outro ponto de pauta que motivou os protestos é o Decreto nº 12.600/2025, que institui o Plano Nacional de Hidrovias e elege os rios Tapajós, Madeira e Tocantins como eixos prioritários para a navegação de cargas.
Indígenas consideração o ato como uma privatização dos rios, além de ser um impulsionador de desmatamento nas regiões, por isso pedem a revogação do decreto.


