Nesta segunda-feira (10), durante a inauguração do Pavilhão Brasil na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, ressaltou uma das suas propostas para esta conferência.
“Queremos o reconhecimento dos territórios indígenas como política climática. Os territórios como medida de mitigação da mudança climática”, disse a ministra, lembrando que “onde tem a presença indígena é certeza de água limpa, de alimentação sem veneno, de floresta preservada e de biodiversidade viva”.
No discurso, Sônia celebrou a participação dos povos originários no evento realizado em Belém, capital do Pará. Ela informa que há cerca de 400 indígenas credenciados para acessar a Zona Azul da COP30, espaço onde são realizados os debates com líderes políticos e as negociações entre os representantes dos governos dos países participantes da conferência.
A ministra lembrou da conquista do Acordo de Paris, que reconhece e a importância dos conhecimentos, saberes e práticas dos povos indígenas para o combate às mudanças climáticas e a proteção da natureza, e ressaltou que a COP30 será o momento de implementar esse reconhecimento. “As respostas são do chão do território que nós ocupamos e protegemos todos os dias”, disse.
Além dos indígenas que participarão da Zona Azul, há, de acordo com Sônia, outros 3 mil hospedados na aldeia COP, uma estrutura articulada pelo Ministério dos Povos Indígenas (MPI) em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), o Governo do Pará e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).
“Ali é também um espaço de debate, um espaço de encontro, um espaço de conexão espiritual e um espaço de diálogo com o mundo”, ressaltou a ministra.
Pavilhão Brasil na Zona Azul
Dentro da Zona Azul, o Pavilhão Brasil será o local de encontro, diálogos e apresentações das iniciativas brasileiras de enfrentamento da mudança do clima por atores diversos: governos, empresas, universidades, sociedade civil e movimentos populares.
No local, há dois auditórios: Sumaúma e Cumaru. A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou a importância dos dois nomes. “Duas árvores da Amazônia, uma que impressiona pela grandeza e pela fragilizada; a outra que impressiona também pela grandeza e pela tenacidade”, explicou.

Feito em madeira e estruturado em uma esquina da Zona Azul, o pavilhão brasileiro tem fachada colorida e um pequeno palco com púlpito na área de apresentações. Para a abertura, havia degustação de café brasileiro, o que garantiu uma fila diante do balcão, até porque, além do sabor, os valores praticados para um simples cafezinho nas áreas do evento não são tão convidativos.
“Muitas coisas que serão debatidas aqui vão fortalecer a agenda de negociação, no que diz respeito ao financiamento, no que diz respeito à adaptação, no que diz respeito à questão da mitigação e do enfrentamento da emergência climática”, disse Silva.
Além da Zona Azul, a área de programação oficial da COP conta com a Zona Verde, onde são realizados os debates de interesse da sociedade civil, como a implementação do Plano Clima, que será o guia das ações de enfrentamento à crise climática do Brasil até 2035.



