terça-feira, dezembro 9, 2025
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Festival Antirracista celebra dez anos da Marcha das Negras e denuncia ‘consórcio da morte’ de governadores — Brasil de Fato

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O Galpão Elza Soares, no centro de São Paulo, recebe, nestes sábado (8) e domingo (9), o primeiro Festival Antirracista de Cultura e Resistência, organizado pela Bancada Feminista do Psol. O evento celebra os dez anos da Marcha das Mulheres Negras e reúne nomes da política, da cultura e dos movimentos sociais de todo o país.

“O Espaço Cultural Elza Soares, conhecido popularmente como Galpão do MST [Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra], nos recebe para o primeiro Festival Antirracista de Cultura e Resistência da cidade de São Paulo, mas com a presença de lideranças negras de todo o país para construir um outro projeto de vida para o nosso país, um projeto de bem viver”, afirmou Simone Nascimento, codeputada estadual pela Bancada Feminista do Psol.

Entre as convidadas estão as deputadas Benedita da Silva (PT-RJ), Talíria Petrone (Psol-RJ) e Áurea Carolina (Psol-MG), o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), o fundador da Uneafro Brasil, Douglas Belchior, além de outros representantes de coletivos e movimentos negros. Segundo Nascimento, o festival quer mostrar que “o nosso povo é um povo que produz tecnologia de resistência” e que “é possível fazer com que os nossos espaços sejam espaços de vida e não espaços de guerra”.

O evento, gratuito, acontece na Alameda Eduardo Prado, no Campos Elíseos, perto das estações de metrô Marechal Deodoro e Santa Cecília. Além de debates e mesas temáticas, haverá a Feira do Livro Negro, a Feira de Economia Solidária e apresentações culturais de jongo, capoeira, samba e baile charme.

Segurança pública e resistência

O tema da segurança pública terá um destaque maior após a chacina recente no Rio de Janeiro, que deixou 121 pessoas mortas. “Nós vamos fazer uma discussão mostrando que é possível construir um projeto que respeite os nossos territórios e que a segurança pública é mais do que é vendido por aí, como algo bélico. Na verdade, a segurança pública é a chegada dos direitos nos territórios periféricos”, defendeu Nascimento.

A parlamentar também criticou a atuação de governos estaduais. “Vamos repudiar o consórcio que eles chamam da paz, mas chamamos de consórcio da morte, que é essa conexão interestadual de deputados que querem fazer do banho de sangue estratégias de propaganda política. Queremos apresentar uma outra possibilidade, uma possibilidade de bem viver”, apontou.

Para ela, é preciso substituir a lógica de confronto por inteligência. “Nós vamos ressaltar o quanto é importante construir inteligência e não chacinas. É possível ter operações inteligentes como tivemos na Faria Lima [avenida em São Paulo], que ajuda a desmontar o caixa financeiro das organizações criminosas”, disse, mencionando a Operação Carbono Oculto, do Ministério Público Federal (MPF) com a Receita Federal.

Racismo ambiental e COP30

O festival também contará com debates sobre o racismo ambiental e a ausência da pauta na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30). “Desde o início, reclamamos, protestamos contrários à não citação na carta da COP ao termo de racismo ambiental porque nós vivemos processos como em São Sebastião, no litoral norte [de São Paulo]. As mansões mais perto do mar não foram atingidas como no morro”, criticou.

Nascimento também denunciou o projeto de incineração em Perus, bairro periférico de São Paulo. “O [prefeito Ricardo] Nunes foi para o Japão e acha que é inovador construir um incinerador agora em Perus, ao lado do maior território indígena de São Paulo. A ausência de políticas públicas já faz o nosso povo morrer mais cedo em Perus. E aí ele quer jogar um ar poluído, cancerígeno no céu de Perus”, lamentou.

“Esse festival também é em legítima defesa”, resumiu a deputada. “Nós somos um setor da esquerda que luta contra o avanço da extrema direita do mundo, numa perspectiva profundamente antirracista”, concluiu.

Serviço

Festival Antirracista de Cultura e Resistência

  • Dias 9 e 10 de novembro (sábado e domingo)
  • Espaço Cultural Elza Soares (Galpão do MST) – Alameda Eduardo Prado, 474 – Campos Elíseos, próximo aos metrôs Marechal Deodoro e Santa Cecília
  • Entrada gratuita

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Fonte Original

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