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Em flotilha a caminho de Belém, indígenas denunciam privatização dos rios — Brasil de Fato

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Os povos indígenas da etnia Tupinambá da região do baixo Amazonas, realizaram na manhã desta sexta-feira (7) um ato de protesto à beira do rio, na Ponta do Pau da Letra, onde o Rio Tapajós se encontra com o Rio Amazonas, contra projetos de destruição da rota da soja nos biomas Amazônia e Cerrado, pautados como soluções frente à crise climática durante a COP30.

O ato compõe as atividades do 8º Grito Ancestral dos Povos Tupinambá, que neste ano reúne lideranças de 28 aldeias a bordo de embarcações e se soma à Caravana da Resposta, que reúne mais de 300 participantes e percorre cerca de 3 mil quilômetros com atos públicos, assembleias, intercâmbios territoriais e manifestações culturais até a chegada em Belém (PA), onde devem participar da Cúpula dos Povos.

As manifestações denunciam ainda impactos do decreto nº 12.600/2025, assinado em 28 de agosto de 2025, que privatiza os rios Tapajós, Tocantins e Madeira a partir do Programa Nacional de Desestatização (PND), para ser concedido e leiloado a empresas privadas para exploração como hidrovia para ampliação do transporte de cargas.

Grito Ancestral é considerada a maior manifestação dos povos indígenas Tupinambá. Foto: Reprodução/CITUPI

A partir de canto e espiritualidade, junto aos movimentos populares, indígenas, ribeirinhos, quilombolas e agricultores familiares reafirmam a resistência, a união e a presença viva dos encantados nos territórios indígenas, em defesa da Amazônia e do Cerrado.

“Enquanto os chefes de estados estão reunidos procurando uma solução para as mudanças climáticas, estamos aqui resistindo. Não são eles que vão resolver, somos nós que resistimos. E a importância da demarcação dos territórios é fundamental, pois é isso que mantém as árvores em pé, que mantém os nossos rios, que mantém a nossa floresta”, explica a liderança indígena Alessandra Korap.   

A iniciativa chama atenção para o modelo exportador que, segundo os organizadores do ato, “concentra riquezas, destrói florestas e ameaça modos de vida”. O protesto também denuncia o que chama de “falsas soluções” apresentadas por líderes e chefes de estado durante a COP30.

“Os chefes de estado só tem blá blá blá e não estão resolvendo nada. [Falam] quando é a favor da mineração, a favor do petróleo, a favor da destruição do meio ambiente, então para nós, povos indígenas, é só falácia para ganhar dinheiro em cima das nossas vidas”, complementa Alessandra.

Faixas nas embarcações destacam impactos de corporações do agronegócio. Foto: Reprodução/CITUPI

Entre os projetos apontados pelas manifestações, está o Ferrogrão, que de acordo com estudos da PUC-Rio em conjunto com a Climate Policy Initiative, pode provocar o desmatamento de 1.273 km² de floresta, mas é defendido por corporações internacionais do agronegócio. O projeto está suspenso por decisão liminar do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Somos contra o Ferrogrão, somos contra a mercantilização dos nossos rios, somos contra a hidrovia Tapajós, somos contra todos os grandes projetos, a avenida Liberdade, contra o furo da bacia do rio Amazonas e estamos aqui para demarcar a luta contra esses grandes projetos capitalistas”, denuncia a liderança Tupinambá, Marília Sena.

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