quarta-feira, junho 10, 2026
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América Latina é zona de paz, diz Lula, ao criticar intervenções

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Em um chamado a fortalecer o multilateralismo entre os países do mundo, o presidente Lula recebeu, nesta segunda-feira (20), as cartas credenciais de 28 novos embaixadores no Brasil. Durante a cerimônia na sede do Ministério de Relações Exteriores, em Brasília – o palácio do Itamaraty -, Lula manifestou preocupação com a instabilidade da América Latina e com intervenções estrangeiras na região.  

“Na América Latina e Caribe, também vivemos um momento de crescente polarização e instabilidade. Manter a região como zona de paz é nossa prioridade. Somos um continente livre de armas de destruição em massa, sem conflitos étnicos ou religiosos. Intervenções estrangeiras podem causar danos maiores do que o que se pretende evitar”.

Sem citar nomes, a declaração é uma referência ao envio de navios e submarinos à costa da Venezuela, por parte dos Estados Unidos. Há cerca de um mês, o Brasil e mais 20 países da América Latina manifestaram preocupação com a movimentação militar estadunidense na região do Caribe.  

Diante de representantes dos países, Lula também mencionou, nesta segunda, a proximidade dos eventos da COP 30, em Belém do Pará. O presidente brasileiro disse que a conferência do clima vai ser “decisiva para o futuro da humanidade” e cobrou o compromisso dos países, sobretudo daqueles que ainda não enviaram as metas de redução de emissões de carbono, as NDCs.  

“Muitos países ainda precisam aprender apresentar as suas Contribuições Nacionalmente Determinadas às NDCs. A noção de justiça climática também será crucial. Isso implica em apostar em ações comprometidas com o combate à fome e às desigualdades socioambientais. É preciso um compromisso real de financiamento por parte dos países que mais poluíram ao longo dos últimos 200 anos”.

Ao receber os novos embaixadores, o presidente Lula destacou a importância do multilateralismo e citou a prioridade dele em “levar o Brasil de volta à cena internacional”. Com isso, mencionou o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, que deve ser assinado na Cúpula do Mercosul em dezembro, no Brasil.

“Nessa ocasião, pretendo cumprir mais uma promessa que é a assinatura do acordo Mercosul-União Europeia, que já espera por mais de 20 anos. As relações com a Europa seguem estratégicas. O acordo é um símbolo contra o recrudecimento do protecionismo. Estamos criando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo mais de 700 milhões de pessoas e um PIB de mais de 22 trilhões de dólares.

Ao fim do discurso, no Itamaraty, Lula o presidente brasileiro destacou que os novos embaixadores serão “bem tratados e terão atenção”, como forma de “mostrar ao mundo” que é preciso “fortalecer o multilateralismo”, baseado na “boa relação cordial, comercial, econômica e, sobretudo, pacífica — sem ódio, sem negacionismo e sem ferir o princípio básico da democracia e dos direitos humanos”.  


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