quarta-feira, junho 10, 2026
spot_img
InícioCIDADES'Estamos perdendo o medo de lutar': milhares marcham pela independência em Porto...

‘Estamos perdendo o medo de lutar’: milhares marcham pela independência em Porto Rico

0:00

Milhares de pessoas caminharam, nesse domingo (31), pelas históricas ruas de Viejo San Juan na Marcha pela Independência de Porto Rico. A manifestação relembrou marcos do movimento independentista – como os 40 anos da prisão dos Macheteros em 1985 e os 20 anos do assassinato de Filiberto Ojeda Ríos em 2005. Mais de 3 mil pessoas tomaram as ruas da capital.

“Desperta, borinquenho, que já foi dado o sinal! Desperta desse sonho, que é hora de lutar!”, cantava a cantora iLe minutos antes do início da mobilização, enquanto a multidão se unia em um coro que acompanhava cada verso de La Borinqueña, hino independentista.

Movimento reivindica autonomia em relação aos Estados Unidos | Adriana Ortiz

Convocada por sindicatos, organizações sociais, ambientalistas e feministas, assim como por diversos setores do independentismo, a marcha contou com a participação de figuras do mundo da cultura, como a atriz Edna Lee Figueroa, que compareceu vestida – junto a um grupo de mulheres – como “Las Lolitas”, em homenagem a Lolita Lebrón (1919 – 2010), líder e ativista defensora da independência de Porto Rico.

A mobilização também se repetiu em cidades dos Estados Unidos, como Nova York, Nova Jersey, Flórida, onde reside grande parte da diáspora porto-riquenha.

Com cartazes com a frase “Yankees go home”, bandeiras, fotografias de figuras emblemáticas do independentismo e tambores que reproduziam os sons característicos da ilha, a marcha partiu do lado sul do Capitólio, percorreu a rua San Francisco e chegou ao Tribunal Federal.

Ato marca 9 anos da imposição da Junta de Controle Fiscal em Porto Rico pelos EUA | Adriana Ortiz

“Controlar nosso próprio destino”

A manifestação refletiu a vitalidade do movimento independentista, que nos últimos anos tem crescido especialmente entre os jovens. A luta em Porto Rico parte da convicção de que é necessário ter controle sobre o próprio destino para construir uma vida digna. O povo porto-riquenho lutou para deixar de ser colônia da Espanha; no entanto, a ilha acabou sob o domínio dos Estados Unidos. Por isso, a busca pela libertação e independência continua vigente, explica Dianne Viera ao Brasil de Fato, integrante do coletivo Jornada Se Acabaron las Promesas.

Após as Guerras de Independência contra o Reino da Espanha – lutas de independência realizadas em conjunto por Cuba e Porto Rico – a tão desejada soberania de ambos os países foi ofuscada pela intervenção dos Estados Unidos em 1898. A partir de então, Cuba alcançou uma independência formal – embora fortemente condicionada a Washington – enquanto Porto Rico passou a ser um “território não incorporado” dos Estados Unidos, eufemismo que encobre uma relação colonial que, já no século 21, Washington mantém com a ilha caribenha.

“A maioria dos porto-riquenhos tem muito claro que nosso país é uma colônia”, afirma Dianne Viera.

“Geralmente nos dizem que, se fôssemos um país independente, cairíamos na pobreza e não conseguiríamos sobreviver como nação soberana. Inclusive, há setores políticos – como a atual governadora – que defendem que o melhor para Porto Rico seria se anexar definitivamente aos Estados Unidos e se tornar o 51º estado. No entanto, a verdade é que, ao longo dessas décadas, o único efeito da presença dos Estados Unidos – além de nos tirar a soberania – tem sido se apropriar das riquezas do nosso país”, acrescenta.

A data da convocação para o ato foi escolhida para coincidir com o 9º aniversário da imposição, por parte de Washington, da Junta de Controle Fiscal em Porto Rico. Esse órgão foi criado em 2016 por meio da Lei Promessa, durante a administração de Barack Obama.

Segundo Viera, sob a justificativa de reestruturar a dívida externa de Porto Rico com os Estados Unidos — considerada pela ilha como “ilegítima” — foi criada a Junta de Controle Fiscal, organismo que, na prática, exerce controle de fato sobre a economia do país.

Composta por sete membros nomeados pelo presidente dos Estados Unidos e um membro designado pelo governador de Porto Rico, a junta tem como objetivo garantir o pagamento da dívida por meio de políticas de austeridade.

Essas medidas provocaram o fechamento de escolas, o corte de aposentadorias e a eliminação de direitos trabalhistas, o que precarizou a saúde, a educação e as condições de trabalho dos porto-riquenhos. “A junta decide em que o dinheiro será gasto e como será gasto. Trata-se de uma entidade cujo objetivo é intensificar o saque”, afirma Viera.

As consequências têm atingido particularmente os jovens, que – segundo Viera – se viram obrigados a migrar nos últimos anos diante da falta de perspectivas de futuro no país.

“Estão nos tirando tudo. Estamos perdendo tudo. Mas também estamos perdendo o medo de lutar. Vemos como representantes da cultura popular dão sua contribuição, como o companheiro Benito (Bad Bunny), enquanto muitas organizações acompanham o povo nas ruas.”

Google search engine

Fonte Original

Conceição do Mato Dentro reforça debate sobre diversificação econômica com segundo fórum em seis meses

Quando uma cidade realiza dois fóruns sobre diversificação econômica com apenas seis meses de intervalo entre eles, o recado é claro: o futuro não...

Construir a nova Ásia de nossos sonhos

O crescimento econômico por si só não garante a soberania genuína na Ásia; uma plataforma regional de coordenação continua sendo uma necessidade material vital...
ARTIGOS RELACIONADOS
Anúncio
Google search engine

MAIS POPULAR