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A menos de um mês das eleições, Arce pede unidade e teme retorno da direita na Bolívia

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O presidente da Bolívia, Luis Arce, pediu unidade da esquerda às vésperas das eleições presidenciais. Depois de quase quatro anos de ruptura com o ex-mandatário Evo Morales, o chefe do Executivo publicou uma nota afirmando que a “Revolução Democrática e Cultural Boliviana” está em risco.

“É irrelevante para o povo e não representa nenhuma lição política a guerra interna dentro das forças progressistas e de esquerda. É o momento de olhar para frente, de recusarmos os individualismos que penetraram nossas filas, de atuar com responsabilidade histórica, escutando as bases para dar um salto no processo de mudança”, disse o presidente na carta divulgada neste domingo (20).

A disputa interna a que ele se refere se dá justamente entre um campo que apoia Arce e outro que segue Evo Morales. Nenhum dos dois será candidato nas eleições marcada para 17 de agosto, mas a esquerda boliviana ainda não fechou consenso em torno de um nome.

Neste momento, o senador Andrónico Rodríguez é o que aparece mais bem colocado nas pesquisas entre os candidatos progressistas, mas a preocupação de Arce se justifica porque o empresário e ex-ministro do Planejamento Samuel Doria Medina, de direita, lidera em intenção de voto. Outro nome relevante da esquerda é Eduardo del Castillo, que é atual ministro de Governo, mas não aparece com mais de 3% das intenções de voto. 

Arce afirma que está longe de qualquer tipo de protagonismo diante da “grave situação” que o país apresenta. Para ele, o dilema que a esquerda vive é claro: “unidade agora ou derrota amanhã”. Ele não mencionou um nome para a candidatura, mas afirmou ser preciso ouvir as demandas das bases que “clamam por unidade”. 

Arce disse ter esperança de que é possível chegar a um consenso a partir de quatro pontos: maturidade para analisar a conjuntura, a percepção do perigo que representa a direita, a mentalidade dos candidatos como chefes do Executivo e a disposição de diferentes setores em priorizar o diálogo. Ele entende que a unidade se constrói com base em um diálogo para contrapor propostas e chegar a um consenso, “cedendo em algumas coisas”.

A carta do presidente também afirma que a direita representa um risco para as empresas estatais, para os direitos trabalhistas e para os investimentos públicos em saúde e educação. 

O texto termina afirmando que os candidatos do campo progressista têm plenas condições de vencer essa disputa e presta uma homenagem ao líder socialista, Marcelo Quiroga Santa Cruz, assassinado em 17 de julho de 1980, pela ditadura de Luis García Meza.

Disputa interna

O ex-presidente Evo Morales se tornou o principal opositor do atual governo, também de esquerda, depois de voltar do exílio na Argentina, em 2020. Morales começou a criticar algumas decisões de Arce e disputar espaço pela candidatura do Movimento Al Socialismo (MAS) nas próximas eleições presidenciais.

O estopim da desavença se deu em outubro de 2023, quando apoiadores de Morales organizaram um congresso em Lauca Eñe, no distrito de Cochabamba. A região é seu berço político e reduto eleitoral. No evento, ele chamou os apoiadores de Luis Arce de “traidores” e determinou unilateralmente a expulsão de Arce do partido MAS, decisão que não é unânime dentro da legenda.

Em dezembro de 2023, o Tribunal Constitucional Plurinacional da Bolívia decretou que presidentes e vice-presidentes só poderiam exercer o cargo por dois mandatos, de forma seguida ou não. Com a sentença judicial, Evo Morales, que foi presidente por quatro mandatos, não poderia voltar ao poder.

Evo foi eleito presidente do MAS em janeiro de 1999 e na liderança da sigla chegou à presidência do país em 2006, ocupando o cargo até 2019, quando foi destituído por um golpe. O Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) da Bolívia já havia reconhecido em novembro Grover García como presidente do MAS. Com isso, Morales perdeu a liderança da sigla depois de 25 anos em meio a uma disputa política interna com o atual presidente, Luis Arce.

O mandatário desistiu de tentar a reeleição em maio para evitar ampliar o racha entre os dois lados.

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