quarta-feira, junho 10, 2026
spot_img
InícioSAÚDEEm meio a queda de braço com governo, Câmara aprova urgência de...

Em meio a queda de braço com governo, Câmara aprova urgência de projeto que derruba mudanças no IOF

0:00

Após algumas semanas de faíscas entre o Congresso Nacional e o governo Lula por conta das mudanças propostas pela gestão para a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o plenário da Câmara dos Deputados aprovou, na noite desta segunda-feira (16), a urgência da medida que derruba a reedição feita pelo governo na cobrança. A celeridade na tramitação do texto foi chancelada por um placar de 346 votos favoráveis e 97 contrários – eram necessários 257 para a aprovação. Com isso, o pedido não será apreciado pelas comissões, devendo ter o mérito votado direto em plenário. Pelo acordo feito entre as lideranças, essa outra fase de análise deve ocorrer dentro de duas semanas.

A urgência aprovada é para o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 314/2025, de autoria do líder da oposição na Câmara, Zucco (PL-RS), que derruba o Decreto nº 12.499/25, assinado pelo presidente Lula (PT) e pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na última quarta-feira (11). O documento do Executivo revê mudanças propostas anteriormente para o IOF e propõe alternativas de cobrança, mas não pôs fim à maré de críticas feitas pela oposição.

A votação desta segunda é, com isso, mais um capítulo de uma queda de braço que teve início em 22 de maio, quando Lula publicou o Decreto nº 12.466/2025, que ampliava a alíquota do IOF em algumas modalidades de cobrança para arrecadar um montante adicional de R$ 20 bilhões em 2025, de R$ 41 bilhões em 2026 e atingir a meta fiscal, segundo cálculos do Ministério da Fazenda. As mudanças atingiam aplicações de fundos nacionais e remessas de pessoas físicas destinadas ao exterior, entre outras operações, mas a iniciativa incomodou setores empresariais e causou novos abalos na relação entre a gestão Lula e o Legislativo.

A isso se seguiu o coro de deputados e senadores do campo da direita pela apresentação de medidas fiscais alternativas, o que fez a administração do PT voltar atrás: a gestão publicou um novo decreto (nº 12.499/25) que altera trechos do anterior e editou a Medida Provisória (MP) 1.303/2025, que impõe cobrança de imposto de renda para títulos atualmente isentos, como a Letra de Crédito Agrícola (LCA) e a Letra de Crédito Imobiliário (LCI), modalidades de investimento ofertadas por bancos.

A provação da urgência do PDL 314 obteve votos contrários de membros das siglas PCdoB, Psol, PT, PV, PDT e Rede e de alguns parlamentares dos partidos Solidariedade, Avante, MDB, PSB e PL, que registraram dissidências isoladas. O líder da bancada do PT, Lindbergh Farias (RJ), disse que as divergências em torno do texto expõem diferenças pautadas num olhar de classe social. “[A iniciativa do governo] é uma medida que pega o andar de cima, mas aqui nós temos um problema no nosso país porque a gente vê setores, grupos econômicos que bradam ‘é necessário um ajuste fiscal’, mas é só em cima do povo pobre porque, na hora em que vem uma alternativa, eles dizem ‘eu, não’”.

A líder da Federação Psol-Rede, Talíria Petrone (RJ), também deu à votação a mesma abordagem. “O que a gente está vendo aqui é uma diferença entre aqueles que estão do lado do povo – estou falando da trabalhadora doméstica, do porteiro, da caixa de supermercado – e aqueles que estão aqui para defender privilégio tributário do andar de cima. Isso expõe a hipocrisia daqueles que estão o tempo todo demandando do nosso governo cortes estruturais que impactam o trabalhador ali no cotidiano da sua vida, aquele que ganha um salário mínimo, aquele que compra um supermercado com dificuldade”, criticou a psolista.

“Esses mesmos parlamentares ficam nervosos, falam que não se pode aventar impostos quando esse ajuste é feito no andar de cima. É a mesma turma que acha possível cumprir a meta do déficit zero, que queria um ajuste ainda mais apertado. O Brasil precisa entender o projeto que está na pauta hoje: o aumento seletivo do IOF incide sobre quem tem dinheiro, sobre quem pode mandar dinheiro para o exterior, sobre quem pode viajar pro exterior, sobre quem pode gastar R$ 50 mil pra apostar numa previdência privada”, exemplificou Talíria.

Do outro lado, a oposição comemorou o resultado, que Zucco chamou de “grande votação”. Ao se queixar das medidas do governo, o deputado bolsonarista disse que a gestão teria um “projeto de vingança” contra os setores sobre os quais recaem as novas taxas de IOF propostas pela gestão. Seguindo a mesma linha, o líder do partido Novo, Marcel Van Hattem (RS), uma das principais vozes de oposição à gestão, disse que a sessão desta segunda se deu em uma “noite histórica”. Já o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), insistiu pela votação do mérito na mesma sessão ou nesta terça (17), “haja vista a manifestação expressiva do plenário” [contra as mudanças].  O líder do governo na Casa, José Guimarães (PT-CE), reagiu às manifestações.

“Nós não estamos votando o mérito do PDL. Estamos votando a urgência, que foi uma construção que vários líderes da base encaminharam durante o dia de hoje, e é natural que a oposição fique o tempo todo comemorando uma construção que não é dela. Essa construção era no sentido de votarmos a urgência e termos o tempo necessário para debatermos o mérito do [decreto do] IOF e da MP que já foi encaminhada a esta Casa”, disse o parlamentar cearense, que liberou a bancada governista para que cada um votasse como quisesse por conta das divergências internas no grupo.  

“Vou liberar a base do governo, mas quero explicitar aqui algumas das opiniões e combater argumentos falacioso que líderes da oposição colocaram neste debate. O que estamos fazendo no governo em relação ao IOF e à MP? Estamos fazendo readequação e ajustes pra fazer cumprir o tal do arcabouço que nós votamos aqui nesta Casa, e o nosso governo tem tanta responsabilidade fiscal que ele não vai desrespeitar as regras que nós aprovamos”, argumentou Guimarães.

Fonte Original

Conceição do Mato Dentro reforça debate sobre diversificação econômica com segundo fórum em seis meses

Quando uma cidade realiza dois fóruns sobre diversificação econômica com apenas seis meses de intervalo entre eles, o recado é claro: o futuro não...

Construir a nova Ásia de nossos sonhos

O crescimento econômico por si só não garante a soberania genuína na Ásia; uma plataforma regional de coordenação continua sendo uma necessidade material vital...
ARTIGOS RELACIONADOS
Anúncio
Google search engine

MAIS POPULAR