quarta-feira, junho 10, 2026
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Contar com a sorte  – Portal Agora

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A saúde pública agoniza em Minas Gerais. Enquanto os governantes voltam seus olhos e discursos para pautas que nada agregam à vida da população, a saúde pública está no CTI. A falta de leitos hospitalares e demora em exames e consultas atingiu um nível alarmante. Por aqui, apesar da melhoria significativa no atendimento da Unidade Padre Roberto (UPA 24h), a carência de vagas nos hospitais ainda é o grande gargalo. 

Todos os dias centenas de pessoas se desesperam quando o assunto é internação. Jogada à própria sorte, a população que necessita do Sistema Único de Saúde (SUS) precisa se contentar com o que tem, e com o que é regulado pela Central de Leitos. Não tem escapatória. Se a vaga é em Divinópolis, Bom Despacho, Santo Antônio do Monte, Carmópolis de Minas, ou  em outras cidades de Minas, ninguém sabe. O jeito é fazer as malas e ir para onde o “vento”, ou melhor dizendo, a Central de Regulação manda. Não há vagas. O caos está por todos os lugares. Enquanto a saúde pública entra em um verdadeiro colapso, e o povo conta apenas com a sorte e a fé, os eleitos voltam seus olhos para o fútil, para o trivial. Mas, “quem planta colhe”. Quem planta voto sem conhecimento, colhe o cenário que está exposto hoje. 

A saúde pública agoniza. Em Belo Horizonte, o Hospital João XXIII opera com um plano de contingência permanente para lidar com a alta demanda de urgências. O contexto ilustra a gravidade da situação não apenas na capital mineira, mas em todo Estado. A unidade tem operado no nível 3, ou seja, quando chega-se a 90 pacientes simultâneos no pronto-socorro. A superlotação se repete nos hospitais Risoleta Neves e Odilon Behrens, configurando um cenário crônico. A verdade é que já não é mais possível aceitar a naturalização da gestão da rotina de crises. Em outras palavras, é preciso encontrar soluções, e não apenas paliativos. É urgente que os governantes ajam e apresentem ao povo respostas para este caos que se instalou.. Nem mesmo o mais fanático do apoiador, do defensor, consegue fechar os olhos para tamanho descaso que se arrasta pelo Estado. 

Em Divinópolis, o Hospital Público Regional Divino Espírito Santo será entregue no segundo semestre. De fato, um marco para a cidade, visto o tempo que a obra demorou para ser concluída e entregue. Porém, apesar da inauguração, o funcionamento previsto é apenas para 2026. Ou seja, o caos na saúde pública pode continuar. Apesar das paredes finalizadas, e da alvenaria pronta, a luta por leitos hospitalares continuará. A população seguirá agonizando em busca de internação, e de atendimento médico hospitalar. O cenário do mais puro e absoluto caos na saúde pública está aí, posto à mesa, e agora cabe aos eleitos trabalhar para buscar soluções e apresentar resultados, em todas as esferas: Federal, Estadual e Municipal. Os vídeos e os discursos separatistas e preconceituosos não têm trazido melhorias, não tem colocado comida no prato do povo, e muito menos zerado a fila do SUS. A saúde está no CTI, agora basta aos representantes escolherem o caminho que trilharão, pois a desordem está instalada. A saúde respira com a ajuda de aparelhos.

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