quarta-feira, junho 10, 2026
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Paulo Sérgio Nogueira nega ter discutido minuta golpista com Bolsonaro

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Os dois últimos réus do Núcleo 1 da trama golpista foram ouvidos, nesta terça-feira (10), pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF), após o depoimento do ex-presidente Jair Bolsonaro. Um deles foi general Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa do governo passado. Ele negou ter discutido um decreto de golpe com Bolsonaro e com os comandantes das Forças Armadas e disse ter alertado para a gravidade de uma tentativa de medida contra a democracia:

“Depois que terminou a reunião, eu cheguei ao presidente, eu, pessoalmente – eu acho que o Freire Gomes estava ao meu lado – no mesmo dia, alertando da seriedade, da gravidade, se ele estivesse pensando em estado de defesa, estado de sítio, a gente conversando ali, numa tempestade de ideias, e as consequências de uma ação futura, que eu imaginava que poderia acontecer, se a evolução, realmente, das coisas fosse em frente”.

Paulo Sérgio, no entanto, afirmou que foi estudado um decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) após as eleições, que, para ele, poderia ser legítimo. O general também pediu desculpas ao ministro Alexandre de Moraes pelos ataques que ele, como ministro, fez contra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e contra o sistema eleitoral:

“Inicialmente, presidente, eu queria me desculpar publicamente por ter feito essas colocações naquele dia. Na verdade, foram palavras mal colocadas dar a entender de chamar o TSE de inimigo. Isso jamais, em tempo algum”.

Paulo Sérgio disse ainda que Bolsonaro não influenciou a realização do relatório das Forças Armadas sobre a segurança das urnas.

Braga Netto nega repasse a Mauro Cid

Último a prestar depoimento, o general Walter Braga Netto, candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro em 2022, negou ter repassado dinheiro para o tenente-coronel Mauro Cid. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o recurso seria destinado a militares que planejavam o sequestro e o assassinato de autoridades. O general – que está preso no Rio de Janeiro e, por isso, participou por videoconferência – negou que tenha ordenado ataques de militantes bolsonaristas contra os comandantes das Forças Armadas que se recusavam a aderir ao golpe de Estado.
 
Com o fim dos interrogatórios dos oito réus, o julgamento da ação contra o Núcleo 1, considerado o crucial da trama golpista, deve ocorrer no segundo semestre deste ano.


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