quarta-feira, junho 10, 2026
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Anderson Torres ordenou fiscalização maior da PRF durante eleição

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O ex-diretor de Operação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Djairlon Henrique Moura confirmou que o ex-ministro da Justiça Anderson Torres ordenou que o órgão intensificasse a fiscalização de ônibus com eleitores no 2º turno das eleições de 2022, especialmente no Nordeste, e pediu o máximo de efetivo nas ruas. Djairlon foi umas testemunhas ouvidas no Supremo Tribunal Federal nesta terça-feira (27), na ação penal contra o núcleo central da trama golpista de 8 de janeiro de 2023.

O ex-diretor, no entanto, negou que a operação da PRF tivesse viés político. Ele depôs como testemunha de defesa de Anderson Torres.

Na época, pesquisas eleitorais indicavam vantagem na região Nordeste do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva sobre Jair Bolsonaro, que buscava a reeleição.

O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Saulo Moura da Cunha também testemunhou nesta terça-feira e disse que a Abin só teve certeza da ida de manifestantes para a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, no próprio dia 8 de janeiro de 2023. Foi somente nessa data que os apoiadores de Bolsonaro resolveram, em uma assembleia em frente ao QG do Exército, para onde iriam se deslocar durante a manifestação.

Saulo da Cunha afirmou que a Abin começou a alertar sobre as convocações para invasão e depredação de prédios públicos a partir de 6 de janeiro daquele ano. Ele disse que o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República foi alertado sobre o rumo que os extremistas poderiam tomar. Contudo, ele não soube dizer se as informações foram repassadas para a Secretaria de Segurança do Distrito Federal, comandada por Anderson Torres na época.

Já a coronel da Polícia Militar Cíntia Queiroz, ex-subsecretária de Operações do Distrito Federal, disse que, se o plano de segurança tivesse sido seguido, os atos dos golpistas, de depredação e invasão de prédios públicos não teriam ocorrido. O planejamento previa a chegada de duas mil pessoas em caravanas e não permitia a entrada dos manifestantes na Esplanada dos Ministérios.

Até o dia 2 de junho, o STF espera ouvir todas as testemunhas elencadas por defesa e acusação contra o núcleo suspeito por dirigir a tentativa de golpe, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes permitiu que os jornalistas apenas acompanhassem os interrogatórios. Não foi autorizada a gravação da sessão.

*Com informações da Agência Brasil


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