Israel começou a aplicar nesta sexta-feira (20) severas restrições ao acesso de palestinos à mesquita de Al Aqsa, em Jerusalém Oriental, durante o mês sagrado árabe do Ramadã, que começou na última terça (17). As forças de ocupação anunciaram que permitirão a entrada de apenas 10 mil dos 3,3 milhões de moradores da Cisjordânia no templo, quebrando assim uma tradição religiosa e social palestina.
“Após uma avaliação da situação de segurança, a cúpula política aprovou o plano de entrada para fiéis palestinos participarem das orações de sexta-feira na Mesquita de Al-Aqsa durante todo o mês do Ramadã”, disse a agência militar israelense Cogat.
Ela acrescentou que apenas 10 mil fiéis palestinos poderão entrar na Mesquita de Al-Aqsa para realizar as orações de sexta-feira durante o Ramadã, “desde que obtenham uma autorização diária prévia, específica para cada oração de sexta-feira”. No mundo árabe, a sexta-feira é o dia de descanso semanal, o equivalente ao domingo na tradição ocidental.
De acordo com o comunicado, as autoridades israelenses permitirão a entrada de homens com 55 anos ou mais, mulheres com 50 anos ou mais e crianças de até 12 anos acompanhadas por um parente de primeiro grau.
No posto de controle israelense Qalandiya, onde centenas de palestinos esperam conseguir acesso ao templo, a repórter da Al Jazeera Nour Odeh diz que “visitar o complexo da mesquita de Al-Aqsa faz parte da tradição palestina, que se mantém há gerações, há centenas de anos. Passar o dia lá é extremamente importante, faz parte do patrimônio dos palestinos.”
Erguida no local onde o profeta Maomé ascendeu aos céus, a mesquita de Al Aqsa é o terceiro local mais sagrado do islamismo, após as cidades sauditas de Meca e de Medina. A região é cultuada também pelo judaísmo, onde o rei Salomão teria construído o primeiro templo judaico, há três mil anos, e pelo cristianismo, por ser cenário de várias passagens de Jesus.
A Organização das Nações Unidas considera Jerusalém Oriental uma terra ocupada por Israel. Os palestinos pretendem fazer da cidade a capital de seu futuro Estado.
Violência e roubo de terras na Cisjordânia
As novas restrições surgem em meio ao que as autoridades palestinas, grupos de direitos humanos e as Nações Unidas descrevem como uma perigosa onda de violência por parte de colonos ilegais na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém Oriental ocupada, caracterizada pelo uso generalizado de munição real, disparos diretos contra cidadãos palestinos, incêndio de casas de palestinos e apropriação de terras.
Na quarta-feira (18), um jovem palestino-americano foi morto, e outras quatro pessoas ficaram feridas quando um grupo de colonos israelenses, apoiados pelas forças israelenses, abriu fogo contra uma aldeia na Cisjordânia.
Os colonos israelenses agem com impunidade, muitas vezes com o apoio dos militares, atacando civis e suas propriedades.
De acordo com o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha), mais de 1.100 palestinos foram mortos por forças israelenses e colonos na Cisjordânia desde 2013, e mais de 10 mil pessoas foram deslocadas à força.
No início desta semana, o governo de Israel aprovou um plano de anexação para saquear grandes áreas da Cisjordânia ocupada como “propriedade do Estado” israelense, transferindo o ônus da prova para os palestinos, que terão de comprovar a titularidade de suas terras, em uma situação já consolidada em que Israel praticamente impossibilita a obtenção de títulos de propriedade.



