O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Lin Jian, declarou ao Brasil de Fato nesta quinta-feira (12) que “o lado chinês expressa firme oposição e forte indignação à flagrante fabricação de rumores e calúnias por parte dos EUA contra o Porto de Chancay“, no Peru. A manifestação responde a declarações do Departamento de Estado estadunidense que questionaram a soberania peruana sobre a infraestrutura portuária.
O Bureau de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado dos EUA afirmou em publicação nas redes sociais estar “preocupado com relatos recentes de que o Peru poderia estar impotente para supervisionar Chancay, um de seus maiores portos, que está sob jurisdição de proprietários chineses predatórios”.
Na mensagem nas redes sociais, o departamento ainda atacou as parcerias econômicas com a China. “Apoiamos o direito soberano do Peru de supervisionar infraestrutura crítica em seu próprio território. Que isto sirva de alerta para a região e o mundo: dinheiro chinês barato custa soberania”.
A divergência ocorreu porque o Ositrán (Organismo Supervisor de Investimento em Infraestrutura de Transporte de Uso Público) buscava fiscalizar o porto. Mas a justiça peruana declarou procedente a ação de amparo da empresa chinesa Cosco contra o órgão regulador, na qual argumenta que o megaporto foi financiado integralmente com capital privado. Por não haver contrato de concessão estatal, a empresa defende que o empreendimento não deveria estar sujeito ao regime regulatório aplicável a portos públicos ou concessionados.
Em seguida à inauguração do porto, Raúl Noblecilla Olaechea, advogado e atual candidato a vice-presidente da República e ao Senado pelo Podemos Peru, alertava que os Estados Unidos “estão perdendo o que consideravam, e continuam a considerar, absolutamente seu quintal”, em declarações à Telesur.
O agora candidato alertou, antes mesmo de Donald Trump assumir o segundo mandato, para possíveis retaliações econômicas.
“Devemos prestar atenção a essas reações de aumento de tarifas, ou seja, imposição de embargos que podem prejudicar as economias de nossos países, que podem prejudicar os povos de nossos países”, disse.
“Os estadunidenses matam diplomaticamente e politicamente com seus infames bloqueios e embargos”, alertou Olaechea.
O porto foi inaugurado em 14 de novembro de 2024, durante a 31ª Reunião de Líderes Econômicos da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) realizada no Peru. O megaprojeto representa a primeira infraestrutura portuária inteligente na América do Sul, desenvolvida no âmbito da Iniciativa Cinturão e Rota.
Chancay é considerado inteligente porque conta com guindastes automatizados, veículos autônomos não tripulados, tecnologia 5G para interconexão de equipamentos, reconhecimento facial e gestão remota centralizada, permitindo operação ininterrupta de 24 horas sem trocas de turno.
Primeiro ano do porto
A infraestrutura portuária reduziu o tempo de envio entre China e Peru para 23 dias, gerando economia superior a 20% nos custos logísticos.
Desde sua inauguração em novembro de 2024 até dezembro de 2025, o porto de Chancay movimentou 336.200 TEU, segundo a Asociación Peruana de Agentes Marítimos, o que significou S/ 1.037 milhões (aproximadamente R$ 1,19 milhão) em receita aduaneira para a Sunat, conforme o Ministério da Economia e Finanças do Peru.
TEU é a sigla de Twenty-foot Equivalent Unit, unidade padrão internacional que equivale a um contêiner de 20 pés. Como existem contêineres de diferentes tamanhos, um contêiner de 40 pés, por exemplo, corresponde a dois TEUs.
Desde 2013, a China é o principal parceiro comercial do Peru. As relações diplomáticas entre os dois países foram estabelecidas em 1971.


