quarta-feira, junho 10, 2026
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Crise interna acelerou escolha de Flávio Bolsonaro para 2026, avalia cientista político

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A decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de indicar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato à Presidência em 2026 foi surpreendente menos pelo nome e mais pelo momento do anúncio, avalia o cientista político e professor Paulo Roberto de Souza. Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, ele acredita que a escolha “tão cedo” foi influenciada por tensões internas recentes na família e pelo avanço de articulações paralelas dentro do PL. “Ninguém estava esperando propriamente essa indicação tão cedo”, disse.

Para Souza, sucessivas derrotas políticas e o acirramento de disputas por espaço no partido pressionaram o clã a se antecipar. Ele citou especialmente o fortalecimento da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) dentro da sigla. “O clã Bolsonaro anda muito desconfiado nos últimos tempos pelas sucessivas derrotas que se acentuam principalmente com as manifestações públicas das últimas semanas da própria Michele Bolsonaro. Parece que, paulatinamente, começou-se a se construir uma alternativa a Michelle, não pelo clã Bolsonaro, mas pelo clã PL-Valdemar da Costa Neto [presidente do partido]”, afirmou.

O cientista político também considera que o movimento pode funcionar como um “teste” para medir a receptividade do nome de Flávio na direita. “Flávio, que não é bobo nem nada, prontamente já se apressou e divulgou isso [a decisão do pai], já se colocando de forma inegociável como esse candidato. Mas precisa combinar com os russos”, pontuou. Segundo ele, parte dos aliados da extrema direita e setores do centrão ainda não veem o senador como o nome mais competitivo, e pesquisas nos próximos meses podem pressionar por mudanças.

Souza destaca que o anúncio também busca “estancar a sangria” provocada pelas crises internas. “O anúncio do Flávio é uma ordem do pai, no seu sentido mais freudiano possível. Ele está tentando finalizar essa situação dizendo: é o [deputado] Eduardo, não, é Flávio, e assim será até outubro. Mas até outubro tem muita coisa a acontecer”, avaliou. Com Jair Bolsonaro preso, a dificuldade de articulação direta aumenta a instabilidade, reforça. “Brasília ferve, a extrema direita ferve e muita coisa pode acontecer”, indicou.

O professor avalia ainda que o cenário abre espaço para uma terceira via de centro-direita nas eleições. “As pesquisas indicam que há [espaço]. Eles aparecem ali entre 10% e 15%, a depender do período e da pesquisa”, mencionou, citando nomes como os governadores Eduardo Leite (PSD-RS) e Ratinho Júnior (PSD-PR). Para ele, esse movimento pode não ser suficiente para romper a polarização em 2026, mas já mira ganhos eleitorais e políticos para 2030, inclusive na composição do Congresso.

Ao analisar a estratégia eleitoral da família Bolsonaro, Souza vê poucas chances de mudança. “Acho difícil. Acho que a tendência é essa”, apontou, comentando a possibilidade de múltiplas candidaturas bolsonaristas ao Legislativo e a tentativa de manter foro e proteção política.

Ele pondera, porém, que uma vitória de Flávio poderia reconfigurar a situação jurídica de Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro (PL-SP). “Pode ter um ambiente em que apenas Michelle, Jair Renan e Carlos [vereadores, filhos de Bolsonaro] mantenham seus foros, mas Eduardo, Flávio e Jair estejam mais vulneráveis a possíveis investigações a diversos de seus crimes. Jair já está preso, mas tem mais crime ainda para ele responder”, alertou.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

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