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Manguezais inspiram primeiro livro infantil ilustrado da recifense Bell Puã, lançado neste sábado (6)

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O Parque 13 de Maio, no centro do Recife, recebe neste sábado (6), às 15 horas, o lançamento de Não há nada como o Mangue, primeiro livro infantil ilustrado da escritora e poetisa pernambucana Bell Puã. A obra, que chega ao público pela editora independente Pó de Estrelas, leva às crianças uma narrativa construída a partir da importância ambiental, histórica e cultural do manguezal, com ilustrações de Horácio Moreira e recursos de acessibilidade como audiolivro e audiodescrição. 

A chegada do título marca a quarta obra autoral da escritora, que é mestra em História pela UFPE e estreia na literatura infantil. No enredo, o caranguejo Lupã é guiado pela tia Graça, a garça, em uma jornada afetiva pelo manguezal após notar que seu primo mais velho, o caranguejo Maria Farinha Farofa, menospreza o ecossistema. A história convida o leitor a reconhecer o mangue como território de beleza, riqueza ambiental e diversidade de espécies.

A inspiração nasce da experiência pessoal da autora ao tornar-se mãe, em 2019, e de sua pesquisa acadêmica sobre a memória das relações humanas com os manguezais do Recife entre as décadas de 1930 e 1950. Bell reforça que aproximar crianças do imaginário do mangue é essencial para fortalecer vínculos com o meio ambiente e combater a historicizada desvalorização desse território, frequentemente associado a estigmas como sujeira e repulsa. 

“Tem muito a ver com o repúdio a esse meio ambiente durante a história do Brasil. Um repúdio que foi sanado com a luta de intelectuais como Josué de Castro, por exemplo, que lutou para defender a importância do mangue, e também artistas como Chico Science, valorizando o mangue a partir do manguebeat. E esses movimentos de valorização do mangue são de uma importância muito maior quando a gente olha para história desse ecossistema e vê o quanto foi desvalorizado, e o livro fala justamente dessa memória de enxergar o mangue como lugar feio, sujo, fedorento e de como precisamos levar para as crianças esse imaginário do mangue como ecossistema valioso”, afirma a autora. 

O livro também carrega referências afro-brasileiras, indígenas, quilombolas e de matrizes culturais que integram a identidade recifense. Signos de origem tupi e africana são apresentados no glossário e a narrativa dialoga com mitologias como a de Nanã Buruku e com histórias indígenas Tremembé sobre a origem do caranguejo. Para Bell, esses elementos reforçam a autoestima e o pertencimento de crianças negras e indígenas, ao mesmo tempo em que ampliam repertórios culturais.

A edição inclui audiodescrição produzida por uma equipe multidisciplinar, com roteiro, consultoria especializada, gravação, trilha sonora e acesso por QR Code. Os exemplares estão sendo doados para a Rede de Bibliotecas pela Paz, beneficiando escolas e instituições públicas da capital, além de circular em feiras, livrarias, festivais e ações de mediação de leitura realizadas pela própria autora.

Realizado pela Bola Um, com produção executiva de Eduardo Gomes, o projeto tem incentivo da Lei Paulo Gustavo, com apoio do Ministério da Cultura, Governo Federal, Fundação de Cultura do Recife e Prefeitura do Recife.

O livro soma-se à trajetória literária e artística de Bell Puã, reconhecida por sua atuação em poesia falada, vencedora do Slam BR em 2018 e representante da América Latina no campeonato mundial na França no mesmo ano. A autora também tem contribuído com a cena literária recifense como curadora do Festival Literário das Periferias (Fliperifa), fortalecendo vozes negras e periféricas.

Serviço

Lançamento de “Não há nada como o Mangue” – livro infantil ilustrado de Bell Puã

Data: Sábado, 6 de dezembro de 2025
Local: Ponto de Leitura do Parque 13 de Maio, Santo Amaro, Recife

Horário: 15h
Entrada gratuita

Fonte Original

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