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Ditadura em cena: peça ‘Mural da Memória’ estreia em SP com tribunal ficcional sobre Lei da Anistia

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O espetáculo Mural da Memória, do grupo Laboratório de Técnica Dramática (LabTD), estreia no próximo dia 8 de outubro no Sesc Pompeia, em São Paulo. A montagem parte da ficção de que a Lei da Anistia, que perdoou crimes políticos cometidos durante a ditadura militar no Brasil, teria sido revogada e que os responsáveis pelos desaparecimentos no período passam a ser julgados.

“São 11 anos de trabalho como grupo de teatro, nessa pesquisa sobre a ditadura militar. Não só sobre um tema, mas também sobre desenvolver linguagens”, explica Ave Terrena, dramaturga do grupo, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato. Segundo ela, a peça reúne músicas, documentos, entrevistas e histórias orais de pessoas perseguidas pelo regime, como guerrilheiras, familiares de desaparecidos e travestis vítimas de operações policiais.

“A Lei da Anistia é revisada, revogada, e todos os agentes públicos que cometeram crimes contra a humanidade passam a ser julgados na nova república popular brasileira”, resume.

A dramaturga ressalta que a obra busca aproximar o público das vidas concretas afetadas pela violência de Estado. “Tentamos observar aquilo que é quente, que permite nos reconhecermos na história dessas pessoas para entender como ela fala sobre a nossa vida hoje também”, diz Terrena.

Além de abordar a ditadura, o espetáculo conecta o passado e o presente ao discutir o genocídio da população negra e periférica, e a perseguição a travestis e pessoas trans. “Esse aparato foi sendo modernizado, depois foi direcionado para as periferias, contra as travestis, contra várias parcelas da população brasileira. Trazemos isso na peça também”, destaca a dramaturga.

Com direção de Diego Moscovitch, a montagem também conta com a participação das atrizes travestis Dana Lisboa e Andréa Sá. Para Terrena, que também é uma mulher trans, escrever personagens travestis representou um marco pessoal e coletivo. “Foi através da peça e da consciência que se abriu sobre o movimento político das travestis que eu consegui me afirmar como pessoa e como profissional. Só a memória permite termos esse amparo, esse conforto de não nos sentirmos sozinhas”, conta.

Serviço

Mural da Memória

  • Sesc Pompeia (SP)
  • Quartas, quintas e sextas, às 19h30. Às quintas, também às 16h.
  • De 8 a 31 de outubro de 2025
  • Ingressos à venda a partir da próxima semana na bilheteria do Sesc (virtual e presencial)

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Fonte Original

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